Após uma semana um pouco abaixo do nível a que estamos acostumados, Big Love voltou a mostrar que é uma grande série com “Next Ticket Out”. Ao invés de sermos apresentados a mais elementos para complicar a temporada, o episódio se resumiu a dar uma continuidade ao que já tínhamos visto antes na série e, principalmente, voltou ao que é essencial em Big Love: a tensão dentro da própria família Henrickson. Assim, não tivemos grandes surpresas com relação a trama, mas nem por isso o episódio deixou a desejar, ao contrário, sem precisar se preocupar em introduzir novos conflitos externos, o roteiro pôde focar seus personagens centrais, que deram um show a parte com cenas maravilhosas de conflitos e confissões.
Começamos o episódio com várias tramas apenas apontadas nos episódios passados finalmente se desenvolvendo na série, como a mudança de comportamento tão desejada por Nicki e o desejo de Sarah de se distanciar da casa de seus pais para iniciar sua própria família – algo que uma família tradicional como os Henricksons não iria, claro, aceitar. Mas isso foi apenas um aperitivo para os conflitos pelos quais Bill, o patriarca machista da família, iria passar nos próximos 50 minutos, pois nesse episódio o personagem teve que sofrer as consequências de ter três esposas no limite, ao ponto de não conseguirem mais se submeter aos seus desejos egoístas e de nem menos suportar mais as acusações de umas contra as outras.
Barb talvez seja a mulher que mais sofre nesse processo, pois além de ser a que é casada com Bill por mais tempo, é a única esposa “oficial” do empresário, o que a coloca na difícil situação de representar a família perante a sociedade enquanto precisa administrar o trabalho das outras esposas dentro de casa. Assim, não foi novidade alguma ver a personagem, que passou por poucas e boas nessa temporada, explodir e falar besteira diante das mulheres de sua vizinhança para descontar toda a frustração que sente por ser sempre cobrada a ser a mulher perfeita, a mãe perfeita, e até a empregada perfeita! Alguém mais ficou de boca aberta ao ver Bill demitindo a própria esposa da administração do cassino? Inacreditável! Uma pena que a pobrezinha voltou atrás e tentou se redimir diante do marido, pois Bill merecia muito menos de suas esposas.
Nicki teve uma história voltada para sua própria família, o que marcou o retorno de Alby absolutamente negligenciado nessa temporada, e, mais uma vez, um confronto da personagem com relação a suas próprias crenças. Se em um primeiro momento fiquei feliz eu ver Nicki progredir abandonando as roupas típicas da Junniper Creek, no segundo seguinte em que ela foi devastada por Alby morri de pena pela personagem. Nicki está vivendo um impasse. Sente que não se encaixa mais no contexto de sua própria religião, mas não consegue ignorar que sua família ainda faz parte dela e, ainda pior, que ela está presa em um casamento que só existe por causa de uma crença religiosa. Então, enquanto deseja se tornar uma mulher diferente que não mais compartilha seu marido com outras mulheres, não consegue abandonar o medo de não poder mais gerar filhos, nem mesmo abrir mão de suas esposas-irmãs. Mudar o exterior é muito fácil, mas para ser verdadeira e contínua, a mudança de atitude precisa vir de dentro e, infelizmente, Nicki ainda parece estar um pouco longe de descobrir o que realmente deseja para sua vida.
Ainda sobre a personagem, foi um absurdo conhecer o assassino de seu próprio pai pela boca de Barb, a esposa com quem Nicki tem mais conflitos. E, como consequência de uma atitude tão insensível de Bill quanto ao assunto, Nicki deu um tapa no rosto de seu marido, uma atitude ousada se considerarmos que estamos falando de uma família essencialmente patriarcal. E como tal cena aconteceu mais ao fim do episódio, depois de termos ouvido tantas baboseiras saírem de Bill, foi como que um alívio esse tapa bem dado no rosto do personagem, não foi?
Por fim, a terceira esposa de Bill, Margene, também derramou mais conflitos nas costas de Bill – percebam que ele teve que ouvir problemas de todos os lados nesse episódio. Tudo pois resolveu anunciar seu noivado com Goran, o namorado de Ana, que estava tendo problemas com seu visto e teria que voltar para a Rússia – o que acarretaria na volta também de Ana. Barb pelo menos apelou para o verdadeiro motivo que estaria levando Marge a tal atitude: o medo de seu negócio ir água abaixo se outras pessoas descobrissem sobre sua poligamia. Agora Bill, ao contrário, teve uma crise inexplicável de ciúmes – confirmada no fim do episódio. Quer dizer, o hipócrita acha certo ser dividido entre suas esposas, mas o contrário não poderia acontecer? Não é natural? Parece brincadeira, não é? Fica mais do que evidente que ele usa e abusa dos princípios de sua religião para fazer de suas esposas gato e sapato. Simplesmente revoltante.
Apesar de ser centrado principalmente em conflitos internos da própria família Henrickson, o episódio também deixou um ótimo gancho para o season finale, com Marilyn cada vez mais próxima da verdade por trás da família. Será que eles serão expostos antes da eleição? Será que tudo terá sido em vão? Mal espero para ver em um episódio que promete ter o mesmo grande nível que a série já nos apresentou em temporadas passadas.


Ah desta vez não podia concordar mais contigo, Marcia!
O episódio foi mesmo fantástico mas quando o Bill se mostra muito indignado a afirmar que as mulheres jamais podiam ter mais que um homem, eu simplesmente fiquei parvo!
Que hipócrita e que abusador, mas enfim… A religião dele é que também tem culpa –’
O que achas?
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