Breaking Bad – 2.º Temporada (2009)

Viciados. A vida vive de vícios, de algo que não conseguimos largar. Toda a gente tem vícios, nem que seja o de respirar. É algo que não conseguimos deixar de fazer e, ao deixarmos, parece que parte de nós morre (ao pararmos de respirar não é só parte…mas isso são pormenores). Numa conversa entre dois viciados em séries (eu bem mais que ele, digamos em abono da verdade), entre o que vos escreve o review e um colega da escola (chamá-lo-emos baixinho…pronto…Pisco) falávamos do novo vício: Breaking Bad. Fui eu a vicia-lo, mas foi ele que viciou primeiro. Ironia das ironias. Ele dizia-me que era das melhores coisas que tinha visto e que, antes de Breaking Bad, achava o Michael C.Hall o digno vencedor dos Emmys e afins prémios mas que, após ver Bryan Cranston, deixava Michael C.Hall para o lado. E que a segunda temporada da série é das melhores coisas que se fez em TV, com episódios perfeitos que juntos fizeram uma temporada perfeita (duas notas: esta conversa ocorreu depois da Season Finale da quarta temporada de Dexter, por isso tive de discordar. Mas ele ainda não viu a Season Finale…anda preguiçoso. A segunda nota é que concordo com o resto que ele disse). E eu disse-lhe que a série era grande por dois motivos: porque viciava e porque era grande nos pormenores. Uma contradição, mas uma verdade. BB é grande porque, naquilo que é pequeno, é enorme. E aí é que está o sucesso das grandes séries: não serem só grandes, mas enormes nas pequenas coisas. E o Pisco concordou. O rapaz é inteligente…

Inteligente também o é Vince Gilligan. A segunda temporada de Breaking Bad é absolutamente de cortar a respiração. E grande parte do mérito é desse senhor. Conseguiu criar narrativas excelentes, jogar com aquilo que tinha e inserir outras narrativas interessantes. Walter White voltou para um novo ano com uma mentalidade diferente. Com a mentalidade de conquistar o mundo, de salvar a família e de salvar a pele. A primeira é nova, mas as outras são encaradas de uma forma diferente. A pele tornou-se algo mais necessário que a família, muito desprezada logo no início da temporada. Jesse Pickman vinha com a mesma: ganhar umas mocas. Em vários sentidos da palavra. Assim a série tentou fazer algo que não tinha feito até aqui: dar o poder a Mr. White e Pickman de controlar a situação. A série encaminhou-se para isso nos primeiros episódios e, a partir daí, foi construir o que era preciso. Foi preciso colocar entraves que, a medida que ocorriam, ainda afastavam Mr. White da família. Depois retirou um conceito que tinha sido importantíssimo na primeira temporada: o cancro de White. O medo de perder a vida, o contra-relógio. Ao retirá-lo (ainda não tivemos as verdadeiras implicações disso…) deu uma sensação de impunidade a Walter que foi outro trunfo importante para a série nesta segunda temporada. E, depois, teve histórias absolutamente deliciosas, em episódios que ficam nos anais das séries. Fico-me por dois: 4 Days Out, onde temos uma luta pela sobrevivência fantástica e Phoenix, onde se vê um show de Cranston e um dos melhores episódios da minha vida. Mas muitos mais poderiam ser referidos.

Depois houve o terceiro pormenor que a série introduziu, que foi os Flashforward’s a preto e branco. Serviram para três situações: a primeira causar vicio na série. Acompanhar aqueles pequenos segundos era como acompanhar uma visão do futuro, uma espécie de Damages, mas muito mais problemática. Pois não tínhamos nem todos os dados que precisávamos nem o conceito. E todas as conjecturas saíram furadas. Depois serviu para colocar algo ainda mais visível na série, para aqueles que ainda não tinham visto: que todas as acções trazem consequências. Foi essencialmente para isso, para percebermos que as escolhas de Walter não influenciam só ele próprio, não só a sua família mas também toda a gente que gira a volta do seu mundo. E de todas as ligações que se vão formando. A terceira é que não existe perfeição. O final seria épico se aqueles Flashforward’s levassem a algo mais concreto para a série. Era épico, digo-vos. Assim foi uma espécie de nódoa na temporada. Uma nódoa pequena, mas que deixou um sabor a que poderia sair mais dali. Acrescento: muito mais.

Falta referir que a série manteve os ingredientes da primeira temporada. Continuou com o drama necessário, pelas questões éticas e pelo humor negro, algo que Dexter também é perfeita. Os trocadilhos são pérolas para nós que vemos a série de fora. Para quem está por dentro ainda mais. É outro apontamento que torna a série essencial para quem gosta de grandes séries. Tudo o que está na primeira está na segunda. E mais pequenas (grandes) coisas.

Mas, de resto, a temporada foi perfeita. As interpretações perfeitas. A história perfeita. Tudo ali conjugou-se num estado de perfeição absoluto. Breaking Bad foi a melhor série da Fall Season 2008/2009. E, mesmo não acompanhando semanalmente (onde se vê o verdadeira qualidade da série é quando esperamos impacientemente pelo próximo episódio, algo que eu conseguia ver logo de seguida), consegui experimentar, em pequenas parcelas, a espera pelo próximo episódio. Breaking Bad teve poucos apontamentos maus durante uma temporada, algo que poucas séries se podem de gabar.

Só não dou 10 pelo final da temporada. A série, no conjunto quase merecia, mas não foi perfeita. Mas é algo simplesmente extraordinário. Não digo melhor que vi mas, seguramente, entre as melhores que já vi. E, para quem não pegou, faça favor. A série merece ser reconhecida por mais gente. Vicia como (pelo o que a série mostra, pois eu nunca experimentei nem pretendo experimentar) as meta-anfetaminas viciam. Uma correspondência perfeita para a série.

E, já agora, fica aqui um aperitivo para a terceira temporada. Breaking Bad regressa dia 21 de Março, com reviews aqui no Portal escritos por mim. Contando os dias…

9 comentários

  1. essa temporada é mesmo algo de extraordinário, ainda melhor q a primeira. sao episódio e mais episódios sem fim com uma qualidade excelente. mas (e tem q haver esse ‘mas’) a season finale desiludiu-me um bocadinho……

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  2. Comecei a ver a serie curiosamente apos um post vosso sobre um poster da 3ª season lol.. tambem ja tinha lido alguns comentarios a falar muito bem dessa serie.
    Vi o trailer, vi o piloto e vu à lá, a primeira temporada vi em 2 ou 3 dias e a segunda em pouco mais, acabei de ver o season finale À pouquissimos dias e fiquei de rastos quando soube que AINDA faltava 1 mes para o inicio da 3ª lol..

    Sobre a serie, é genial e por vezes profunda, um must see que nao deve ser ignorado.
    Não chego a tanto a dizer que foi uma temporada tao boa como a do Dexter mas teve la muito muito perto sa5262sa..

    Aconselho a verem!! asertrhnb

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    • ricardolim4 /

      Eu prefiro BB a Dexter.

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      • Por muito que goste de Breaking Bad, a perfeição de Dexter supera qualquer uma (no caso de BB por pouco claro :D ).. e falando desta 4ª temporada acho que só mesmo aquela gente louca dos globos de ouro acharam Mad Men melhor mas veremos nos emmys que é o que interessa…

        De qualquer forma, sou enorme fan e ja convenci 2 pessoas a verem ehehe, é incrivelmente viciante nao fosse em uma semana ter devorado as 2 temporadas…

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        • Eu concordo contigo: Dexter é a Minha Série. Mas para eu achar que BB, nesta segunda temporada, esteve um pouco a baixo de Dexter, é porque foi mesmo grandiosa.

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      • eu também, mas a quarta de dexter tmb foi algo de potente!

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  3. A cena da morte da Jane que fecha o episódio 12 é uma das mais espectaculares que já vi em televisão. Directa, crua, com interpretações fantásticas.

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  4. Alexandre Paixão /

    Dos citados nesse tópico:
    Breaking Bad ~> Série simplesmente fantástica! Assisti a 2ª de uma vez só num domingo. Incrivelmente boa. MUUUUUUUITO BOA!
    Dexter ~> Essa 4ª temporada foi de longe a melhor da série. Michael C. Hall… WTF?! O cara é fantástico.
    Mad Men ~> Acho essa série simplesmente soberba! Sou fã de MUITAS SÉRIES (Na minha lista tem 35 séries que já vi/estou vendo. E Mad Men ocupa o primeiro lugar como minha favorita. Série muito bem feita, roteiro sempre muito bem amarrado (mesclado com fatos historicos), tudo na medida certa. Série perfeita em todos os sentidos.

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