Burn Notice (4.08) – Where There’s Smoke

Façamos uma viagem, talvez a viagem mais longínqua que farão a ler as minhas reviews. Metemo-nos na máquina do tempo da escrita e viajaremos 1,42 milhões de anos, até ao período onde os primeiros hominídeos, no meio do mundo, ainda nada estúpidos como aquele que vos escreve, descobriam o fogo. Ou melhor: é a primeira prova que temos de aqueles senhores com pelo por todo o corpo terem usado as labaredas, sejam amarelas, laranjas ou vermelhas, talvez de todas as cores imaginadas, e o utilizaram. A partir daí o fogo teve transformações, mudando de forma como muda de cor. Foi considerado um dos elementos fundamentais, a par da água, do ar e da terra. Ironia das ironias, vemos agora que o fogo é o único sem átomos. Mas isso é para outras conversas. Seguindo. Após ser um dos elementos, o fogo passou a ser religioso. Vemos, na religião católica, o Espírito Santo representado por labaredas, por exemplo. À medida que vamos avançando na escala temporal vemos o fogo a tomar outros locais. Até na cultura popular. Temos os ditados “Quem brinca com o fogo queima-se” e “Onde há fumo há fogo”. E é isso onde que nos interessa. Pois, se onde há fumo há fogo, a calorosa Fiona teve a sua oportunidade de queimar. E queimou tão bem…

Burn Notice tem tido uma temporada inferior ao normal. Talvez devido a uma narrativa menos interessante, o que torna a série mais parada. Mas, se isto é verdade, esta temporada tem conseguido ter pontos positivos. A introdução do Jesse é a primeira, como muitas vezes referi. Depois temos a utilização das personagens secundárias da série como os protagonistas dos episódios. Sam já teve a sua oportunidade, desta vez é Fiona. E, claro, nos não nos importamos nada.

Isto faz com que, com uma personagem conhecida em perigo, não haja apresentações e, para além disso, sabendo dos conhecimentos prévios desta, é possível utilizá-los. Primeiro, e antes de mais nada, elogiar o vestido da Gabrielle Anwar. O preto cai-lhe bem, principalmente com aquele rasgo. Mas seguindo…Com Fiona presa, após um sequestro da mulher de um ricaço que se lançou e venceu no ramo informático, temos o foco de acção dentro do sequestro. Michael, cá fora, pouco pode fazer. Sam ainda menos. Jesse pouco mais. Assim sendo, resta Fiona safar-se. E já se sabe como a menina se porta.

Primeiro consegue ganhar um pouco de privacidade. A partir daí os manos hispanos com pouco tento na língua não sabem com que fogo se meteram. Fiona faz 30 por uma linha, como nos tem habituado, e lá se safa. Chamada ainda, pelo meio, de puta, algo que ela não é de certeza, mas pronto. Os latinos são muito “coração perto da boca” e por vezes saem coisas que não são verdade. Verdade verdadinha é que a caliente Fiona mostra as suas armas, demonstra que não é só Michael, mas que acabam por ser um só. Bonita cena final.

Quanto ao caso temos de referir o impecável timing de Sam, para além do jogo de cintura de Michael e companhia, ao fazer com que os sequestradores se entregassem a polícia. Por último, a mãe do Michael não ter sido uma peça importante para a resolução do caso é que soube a pouco. Esperava ter sido ela a fazer que o marido volta-se atrás com a decisão. Foi Jesse…de novo a personagem a demonstrar-se importante.

Falando em Madeline, vemos a mãe do Michael, agora sim, a ser utilizada. Temos a continuação dos descobrimentos anteriores, com Michael e Jesse com um banco para roubar. Assim, e como Fiona e Sam tinham trabalho, Madeline é utilizada para fumar dentro de um cofre. Nada que ela não se importe, visto que ela tem sempre o cigarro na boca. Melhor que isso foi ver os homens no carro todos preocupados e Madeline a safar-se. Hilariante. Claro que, depois, a rapaziada lá vai assaltar o banco, mas surge de lá uma surpresa. Ou talvez não. O nome de Simon. A série retorna ao sítio inicial, onde tudo começou. Michael começa a ter de mentir demasiado para Jesse para o manter por perto. Mas já sabemos que a mentira tem perna curta…excepto se for a da Fiona.

Última nota: depois de Michael ter dito a Sam que a razão de Fiona estar chateada com o nosso espião era a mudança deste, é irónico ver Michael a ter de mentir a Jesse logo no final do episódio. Vamos ter novos problemas? É que, apesar de problemas na relação Fi/Michael é bem-vindo, nem 8 nem 80. Pois todas as séries sabem que, quando os casais de juntam, a série cresce. E Burn Notice ainda não deixou estabilizar o casal para se ver esse crescimento. Pois, para além dos problemas da mentira, temos Jesse a intrometer-se. Não estou a gostar da pintura.

Noutro episódio bastante conseguido, a série ganha ao dar protagonismo a personagens que por vezes são esquecidas. Esperemos que se lembre delas mais algumas vezes, que estes episódios resultam.

PS: O casal Finley resulta…vestidos de preto e o marido a salvar a mulher.

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