A rotina é algo sobre a qual todos os seres humanos, sem excepção, tem uma relação amor/ódio. Procuram-na quase sempre e, quando a atingem, fogem dela a sete pés. Querem ser estáveis para partir para a instabilidade. A dificuldade, no mundo das séries, é brincar com a rotina. É manter o interessante e transformar o restante. Ou, se se muda o interessante, tem de se mudar para melhor. Uma série que entre numa rotina perde o interesse, uma série que não tenha rotina nunca terá interesse. Esse jogo de colocar e retirar, de escolher as medidas certas para construir o bolo é que fazem, primeiramente, uma série boa ou não. É muito complicado haver uma série boa sem que haja o equilíbrio rotineiro. Depois, e saindo daí, uma série pode subir mais uns degraus, para o muito bom, excelente e por ai para cima. Mas a rotina é, ironicamente, a componente que a série tem de saber melhor trabalhar e mudar.
Burn Notice tem, neste episódio, um problema de rotina. A série, quando chegavam estes episódios finais, costumava largar o caso e só brincar com o arco até aí construído nos finais dos episódios. Esta constante, que pudemos chamar de rotina, dava à série uma consistência que tornavam os finais um dos melhores episódios da mesma. A dificuldade que Burn Notice passa, após 4 anos de existência e uns 6 finais (visto que há o Summer Finale e o Season Finale) escolher o momento certo para mudar um pouco a rotina. Claro que não esperávamos um final muito semelhante aos anteriores. Mas, como disse, uma série tem de se reger pelo equilíbrio. Nos pratos da balança, quando a maça fica podre tem de se adicionar mais maça para equilibrar. Ou seja, quando a rotina torna-se rotineira tem de haver maneiras de a ultrapassar. Mas, como o mundo das séries é esquisito, não se pode tirar a maça podre logo. Tem de haver um jogo cuidadoso em retirar a mesma. E é esse o principal problema que vi neste episódio de Burn Notice: retirar a maça tocada sem haver a preparação do espectador. Quando isto entra num espiral de expectativas criadas pela mesma série, devido ao episódio transacto e aos finais prévios, torna-se difícil adaptarmo-nos logo a situação. Assim, e num final muito bom, surgem algumas pedras no sapato. Mas vamos ao que interessa…
O que nos tinha deixado no último episódio presos era Jesse e a promessa do beijo da morte deixada no ar. Isso, adicionado a entrada de John Barrett a mistura divina, tornava o final algo muito expectável. E até que foi. Vemos Michael a atacar o Aquiles por onde deve ser atacado: pelo calcanhar. Mas, ao contrário da narrativa bíblica, Michael não mata John. Deixa o aviso…
Mas, se quem te avisa teu amigo é, teríamos de considerar Vaughn amigo de Michael. Mas também pior cego é aquele que não quer ver e, vendo desta perspectiva, Michael está bastante cego. A pior personagem dos últimos tempos de Burn Notice é, e vê-se à distância, uma cobra. E, tal como nos inícios dos tempos a serpente enganou Eva, percebia-se que Vaughn, mais tarde ou mais cedo, ia enganar Michael Westen. E que, apesar dos avisos se Vaughn sobre Jesse, este rapaz não era amigo de Michael.
Quando a série parecia lançada, acontece o travão. A série decide mudar um pouco a rotina e inserir um caso num final de um arco. Esta tentativa de mexer na estrutura é o principal aspecto que tenho a criticar. Pois, se um é excelente, dois passa a ser muito bom/bom. Pois há uma quebra. Se houvesse um episódio duplo perceber-se-ia para criar uma tensão mais elevada. A tentativa foi essa. Mas, com a introdução deste jogo, a série tornou-se casual.
Não que o caso seja interessante. É. Mas é o quebrar da normalidade. Um caso de rapto de uma criança já houve na série, se não me engano. Ou pelo menos já houve um rapto…a tentativa de inovar, algo que é preciso nos casos, é dada pelo tipo de sequestro. Desta vez temos Michael a meter-se com os lados mais obscuros de Miami, com um advogado que safa os mais pérfidos bandidos de Miami (viram o pleonasmo?). Esta ligação às profundezas da cidade sempre tinha sido feita a partir de cima, a partir de gente decente, ou próximo disso, que tinha problemas com estes senhores e Michael arranjava. Agora é feito de igual para igual. A diferença é que uma criança está no meio.
Com os habituais arranques e travagens, avanços e recuos, lá vemos Michael Westen a trabalhar no caso. Dando alfinetadas no balão para ver por onde primeiro sai o ar. E depois aproveitar…O caso é muito bem trabalhado, principalmente a Fiona com duas armas, e chega a porto seguro. Mas isso não era o mais importante, o mais importante era que o caso tinha quebrado com o ritmo do arco.
Pois esse, apesar de não precisar de muita construção, devia ter mais atenção. Teve-a nos episódios anteriores, para além de poder ser tra
balhado durante 11 episódios, ao contrário dos habituais 8. Mas, chegado ao confronto, o foque devia rodar para esse lado. Quando roda temos Fiona a pedir desculpa a Jesse. O quarto elemento da equipa foi a melhor introdução à série e conseguiu ser muito bem trabalhado. Quando chega aquele confronto com Michael, não sabemos para que lado a moeda vai cair. Se ele vai deixar a equipa ou voltar para ela. E isso mostra que a personagem foi bem trabalhada.
Claro que, no momento de verdade, as comadres volta a juntar-se. Michael é que não esperava que Vaughn desse uma de esperto e pensasse que se safava com umas balas. O senhor da morte veio para Miami para levar a divindade com ele e acabar com a rapaziada que destruiu Michael. E, protegido pela mesma divindade, lá consegue escapar. Até que, num acidente, tudo acaba por cair…Michael, deitado no chão a sangrar por uma bala que dói mais do que ele sente. Dói porque a sua oportunidade de voltar é levada por uns sapatos pretos, o senhor da morte parece que morreu. Uma embrulhada complicada…e, claro, temos sempre Jesse, Fi e Sam presos. E agora é esperar pela chuva de Novembro para ver aonde isto vai dar.
Burn Notice, muito devido à introdução do factor caso, perdeu parte da espectacularidade dos finais. Esperemos que se estejam a guardar para Novembro. Mas ninguém pode dizer que foi mau…

Summer Finale
hum… isso para summer finale n foi grandes coisas ne? 8.3 só? lembro-me de o ano passado ach q deste melhor nota.
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Dei. Muito melhor, 9,7 no caso. E sim, este final teve uns problemas inesperados…tentaram mudar demasiado as coisas, do meu ponto de vista. E saiu um bocado ao lado a tentativa.
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Desde já, tenho a dizer que o teu primeiro paragrafo descreve um facto muito curioso, não só relacionado com as séries, mas também com outras situações da vida. Ainda agora à dias partilhei a mesma observação com um amigo meu. E Foi engraçado, ve-la aqui descrita e tão bem aplicada
Quanto ao pseudo final, como já disse para outras séries.. não ligo muito e neste caso ainda menos, por ser um summer finale. Daqui a uns anos, quem for ver a série, decerteza que nem vai notar que ela era dividida.
Mas partilho da tua opinião, porque sendo um summer finale ou não, este episódio 12 merecia ser montado de outra maneira. Dando mais lógica ao trabalho desenvolvido nos capítulos anteriores.
Fica tudo em aberto para novembro, espero na altura clarificar melhor as ideias, porque anda ali muita conspiração relacionada com o Vaughn.
p.s: já houve uns 3 ou 4 casos de rapto ao longo da série.
Cumpz
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Ainda bem que gostaste da longa introdução. De resto, com o passar dos anos, nota-se sempre que houve algo que faltou, visto que houve muita preparação.
Agora é esperar por Novembro…claro que espero os teus comentários lá.
Cumprz
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A introdução deu um segundo caso nesse episódio é explicado no próximo episódio.
Eu não concordo com a nota não, 8.3 pra Burn Notice e notas acima de 9 pra Chuck????
Só pode tá de brincadeira…
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