Dez episódios. É este o número de episódios que esperei, para ver, finalmente, Ellen a ser a protagonista e ter todo o destaque que merece. Não é à toa que Rose Byrne pertence ao meu top 3 de actrizes preferidas, mesmo que o seu valor, nem sempre, ou quase nunca, seja reconhecido na hora dos Globos de Ouro, e afins. Mas enfim, a actriz está cada vez melhor, se é que isso ainda é possível, e a 3ª, e provavelmente última, temporada de Damages, também. Apesar de alguns erros, como a introdução de Frobisher, que esteve ausente neste episódio (e ainda bem), ou até mesmo o, por vezes, exagerado ‘suspense’, a série apresenta uma boa e consistente temporada, em que decide inovar, como neste episódio, mostrando os sonhos de Ellen, em vez dos flashforwards e permite mostrar o desenvolvimento das personagens.
Assim, vemos uma cada vez maior aproximação de Ellen a Patty. Ou melhor, da personagem de Ellen à semelhança da de Patty. O que as diferenciava tanto, no início da série, esborrata-se cada vez mais, e as diferenças tornam-se, agora, pontos em comum. Patty deixou a sua família para trás. Ellen está, finalmente, a fazer o mesmo. Patty está entre a espada e a parede e Ellen coloca a sua família nessa mesma situação. Mas, falando mais especificamente sobre os acontecimentos deste episódio, Ellen teve vários conflitos internos. O primeiro, enquanto sonha; o segundo, com a sua irmã e família; o terceiro, profissional. O inconsciente guarda tudo aquilo que nos é mais íntimo, privado e reservado, assim como as memórias e sentimentos recalcados.
Uma das formas de se expressar é através dos sonhos. E enquanto Patty tem sonhos constantes com uma égua, que, segundo informações fornecidas pelo António Guerra, pode ter a seguinte interpretação: “a égua é um arquétipo muito próximo do da mãe, como é o caso da deusa da fertilidade grega Deméter com cabeça de cavalo, e da memória do mundo, associado ao tempo e ao desejo impetuoso”; Ellen começa a sonhar com uma jovem mulher, que mais tarde descobre ter sido a sua ama e possivelmente mãe biológica, apesar da família desmentir e tentar ignorar o assunto. No fim, vemos que Ellen não vai descansar enquanto não vir a sua curiosidade satisfeita e decide, assim, ir à procura dessa dita ama.
Mas, até o momento final deste grande episódio, vemos outros acontecimentos envolvendo as outras personagens. Como disse, Patty é severamente pressionada para abandonar a defesa das vítimas de Louis Tobin, mas lá consegue garantir mais uma semana de trabalho; Joe visita Tessa, que eu acredito que possa ser sua filha, e não de Louis; Lenny viu, por duas vezes, os seus encontros interrompidos pelo seu pai: um com uma prostituta, o outro com Marilyn, para sofrer de chantagem; Tom está cada vez mais desesperado e decide confrontar Tessa, deitando quase tudo a perder, não fosse Ellen a amenizar a situação. Ellen acabou por contar a suspeita de que um Tobin havia assassinado Danielle, a Tessa, para que esta fosse ter com Patty e Tom, mas, no final, ela é apanhada pelo promotor Gates. Será que foi o colega de Ellen, a quem ela contou toda a verdade, que a denunciou e traíu? Ou será que foi uma jogada de Ellen para se vingar de Patty? E a cena em que a Ellen diz à irmã que a pode ajudar… mas não o irá fazer? Uma palavra: brilhante.

De novo um episódio que não me empolga. A série estende-se, num caso que podia ser resolvido em 6/7 episódios. Assim surgiram novas narrativas, necessidade de novas histórias e, consequentemente, personagens novas e antigas. A série tem vindo a engonhar. Mas concordo contigo: o foque na Ellen torna a série mais interessante. Vamos ver o que sai desta história dos sonhos…
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