Damages (3.11) – All That Crap About Your Family

O maior erro apontado a esta temporada de Damages, tem sido o exagerado enrolar do caso Tobin. E se por um lado esta crítica tem fundamento, por outro, deixa de ser considerado um erro, tendo em conta o maior espaço para novas histórias e desenvolvimentos pessoais como uma mais-valia. Dentro desta nova fórmula: maior destaque às personagens e vidas familiares; temos histórias boas, como a de Ellen e a redescoberta sobre a sua infância, e outras bem piores e desinteressantes, como a de Frobisher e o filme pseudo-inspirado na sua vida. O episódio perdeu, então, com o tempo e destaque dado à história de Frobisher, que continua, pelo menos para mim, muito descontextualizada e desinteressante; mas a consciencialização de Ellen, sobre a sua infância, e algumas revelações e surpresas, valeram bem a pena.

Ellen lá se encontra com a sua antiga baby-sitter e percebe que esta não era a sua mãe biológica, mas sim que a sua mãe biológica pretendia oferece-la para a adopção, resultado do instável clima que assolava a família Parsons. O pai sempre demonstrou muito machismo e ser bastante retrógrada, mas daí a ter sido um bully e um homem violento, vai alguma distância. Porém, era mesmo assim e isso reflectiu-se na personalidade de Ellen, que tem como maior objectivo, combater todos os bullys, como Patty. Ellen chega a essa conclusão e melhor compreensão de si mesma, com o apoio de David, o seu falecido noivo, que a ajuda mentalmente. Ellen pediu-lhe ainda desculpas por não pensar tanto nele, o que é “bom sinal” para o David da sua consciência, significando que ela está pronta para seguir em frente, quer amorosa, quer profissionalmente.

Quanto a Patty, esta descobre que Ellen a ‘traiu’ ao desvendar que trabalhava com ela secretamente. Mas, no fundo, Ellen só contou a verdade ao seu parceiro, que foi a correr contar ao chefe Gates, para poder encobrir Tom. Patty fica completamente desapontada, irritada, triste e magoada, recebendo Ellen em sua casa, completamente transtornada, para a ofender e dizer que Ellen é uma oportunista e ambiciosa, fingindo toda a preocupação e amor que tinha em relação à sua família. Tom acabou por revelar a verdade a Patty, que ele é que tinha confrontado Tessa e deitado tudo a perder, o que mostrou bem a razão pela qual ele se irá demitir/ser despedido, e tentará criar uma nova firma com Ellen.

No que toca ao caso Tobin, Patty, Tom e Alex (que começou a ganhar bastante destaque e importância até que, subitamente, Patty a despede…?), entrevistam Tessa e descobrem o que realmente se passou na noite de Acção de Graças e que Tessa foi usada para transferir o dinheiro, sem saber. Assim, Patty e os associados desafiam Tessa a viajar, novamente, até Antígua, para lhes fornecer os papéis das transferências bancárias. Essas transferências eram feitas para supostas empresas de caridade, daí Zeddeck ter afastado Marilyn destas. Porém, quem se revelou e me surpreendeu foi mesmo Marilyn, provando que a maldade é de família, ao dizer a Lenny que iria contar a Joe, que este era o verdadeiro pai de Tessa (o que era de esperar), para proteger a jovem. Mas não o faz, permitindo que o filho encomende a morte de Tessa e do seu protector, contratado por Patty. Os dois são mortos, em Antígua, e as provas dos roubos de Louis Tobin são roubadas pelo hit-man.

Com a chegada do grande final de temporada, e provavelmente final de série, o caso está praticamente desvendado, assim como as verdadeiras personalidades de Marilyn, Joe e Carol, os três completamente instáveis. Falta saber como Patty irá dar a volta ao caso, sendo que o tempo escasseia e os seus grandes colegas a deixaram na mão. Assim como dar uma conclusão às histórias pessoais de Patty, Ellen, Frobisher e Lenny.

3 comentários

  1. Como tu dizes, a falha de Damages, no meu ponto de vista, tem sido a fraqueza que o caso tem demonstrado. A série precisa de um forte caso que dê consistência a Damages. Esta fraude, apesar de promissora, tem vivido muito de mortes, de becos sem saída (a série, a 2 episódios do final, ainda não dá a mínima pista de como, primeiro, o caso se resolverá (se se resolver mesmo…) e, segundo, como terminaremos com a morte do Tom…o que sabemos é que esta temporada de mortes já tem em fartura). O engonhanço presente no caso tem prejudicado.

    Mas, e concordando contigo, este “boring” caso tem outra face da moeda, dando para conhecer melhor as personagens. E, apesar de não concordar contigo no brilhantismo que a história de Ellen tem dado, gosto da abordagem. Claro que acho que peca por tardia, que a recordação e os sonhos estão a acontecer numa altura em que a série precisa de algo mais para pegar e, assim, larga-se no “oculto”. Vamos ver se isto terá uma importância maior…

    Quanto ao Frobisher tem sido um tiro no escuro que saiu muito ao lado. O retorno da personagem serviu essencialmente para dar um encerramento a vida de Patty e, assim, dar a Series Finale a série. O que me parece ser muito tele-novelesco.

    Acabando no caso, muita parra e pouca uva. Como comecei o comentário, tem engonhado muito, tornando-se enfadonho e um pouco previsível. Vamos ver se a teoria da conspiração acaba por cair.

    E, claro, de novo um excelente review da série. Parabéns João. Quem te viu e quem te vê (mesmo para os olhos de um míope).

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    • João Paulo /

      Ora nem mais, o engonhanço já é demais e teria sido mais adequado, se as histórias pessoais e as personalidades das principais personagens tivessem sido analisadas e dadas a conhecer, por exemplo, na 2ª temporada.
      Visto que na primeira, para mim, foi tudo na dose certa :)

      Obrigado António, até tenho vergonha dos textos que escrevi no começo, mas a evolução só se nota e só se deu por influências alheias ;D

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      • Sim, concordo contigo. Deviam ter dividido as narrativas pessoais pela 2ª e 3ª temporadas. Mas a segunda tinha um caso mais consistente e não precisaram disso. E na primeira nem se discute.

        Quanto aos textos, a melhoria tem sempre ajudas alheias. E sinto também uma ponta de orgulho por ter contribuído. Mas, e falando em textos iniciais, acho que os teus eram bem melhores que os meus…o que interessa é que ambos melhoramos (pelo menos tu sim…) e que a ajuda foi mútua. Por isso também te agradeço.

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