Damages (3.13) – The Next One’s Gonna Go in Your Throat

Mais do que uma série jurídica, um thriller ou um drama, Damages é uma série sobre a frieza e crueldade humana. Apresenta os principais motivadores que levam a tais extremos, como a ganância, inveja e ambição, e é, acima de tudo, chocante, na medida em que representa uma realidade, que, por vezes, preferimos não valorizar. A grande mensagem transmitida neste episódio final é a de nunca subestimar os outros, pois mesmo quando se cometem as maiores atrocidades, há sempre algum motivo válido e justificativo.

A família Tobin foi a família perfeita para retratar o que de pior a sociedade tem. Ou grande parte. Roubos, assassinos, traições, adultério, chantagem, ambição, vícios, segredos e, principalmente, ganância. Perfeitas foram, também elas, as interpretações do melhor elenco jamais visto em alguma série. Série essa que não deverá ser renovada, facto com o qual passei a concordar, após a visualização deste brilhante final.

Todos os mistérios foram desvendados, todas as pontas soltas foram atadas e, assim, não se justifica a criação de mais uma temporada, visto que esta foi tão magnífica que jamais seria superada. A forma como tudo se encaixou na perfeição, chega a ser assustadora. Mostrando àqueles que alguma vez duvidaram dos responsáveis, que estavam enganados. Assim como eu.

Vimos o plano do grande trio: Tom, Ellen e Patty a sofrer algumas reviravoltas e percalços. Patty ainda resolveu voltar atrás e ordenou Tom e Ellen para que não prosseguissem, o que não foi correspondido. É então daí que surge aquele telefonema desesperado de Patty para Ellen, na qual lhe gritava que lhe havia dito para não continuar. Um dos percalços desse brilhante plano foi a, já esperada, semi-traição de Lenny. Tom levou com várias facadas do empregado de Zeddeck, sem nunca confessar onde se encontrava Lenny. Entretanto o falso advogado chega e tenta salvar Tom, sendo quase morto. Mas quem acaba morto, pelas mãos do tresloucado Tom, é mesmo o hit-man.

Tom foge e pede ao sem-abrigo para limpar o seu apartamento, que encontra Lenny inconsciente. O sem-abrigo mostra-se ainda mais importante, por ter sido ele a guardar a mala de Ellen, na qual Lenny havia colocado os documentos da confissão de Louis Tobin. Cumprindo, assim, metade da sua palavra, pois o dinheiro que entregou a Ellen era falso. Quando Ellen percebe isso, sai do carro e faz vários telefonemas. É aí que alguém rouba o seu carro, alugado por Tom, e o acidente contra Patty se dá. E quem o causou? Michael. Revoltado pela excelente vingança da mãe, ao ter prendido Jill, acusada de ter tido sexo com um menor. Mostrando que quem lhe pisa o calos, não tem salvação.

Outra história secundária que acabou por encaixar na perfeição, resolvendo histórias pendentes da primeira e segunda temporadas, foi a de Frobisher. Wes voltou e mostrou a sua grande dignidade ao ameaçar Frobisher para se entregar pelo assassinato de David. Mas, no fim, Wes acaba por se entregar, denunciando Frobisher. Os dois foram presos e Ellen ficou com a justiça feita, mesmo não ‘querendo’.

Quanto à despedaçada família Tobin, Joe mostrou a sua verdadeira fase escura, ao afogar, na sanita, Tom, que ainda se recuperava das facadas que havia sofrido. Marilyn, após ser expulsa da vida do filho, relembrou os melhores momentos da sua vida e dirigiu, literalmente, até ao precipício. Atirando-se da ponte. Joe acabou por ser preso e Lenny conseguiu fugir do país, com o dinheiro roubado ao ladrão Louis Tobin. Mas, como diz o ditado, ladrão que rouba a ladrão, tem mil anos de perdão. Ou não.

O último mistério por resolver dizia respeito à pesada consciência de Patty. Pudemos perceber, finalmente, que o seu sentimento de culpa pela perda da filha Julia fazia todo o sentido, pois a própria é que provocou o aborto. De um lado, Patty tinha a possibilidade de viver uma vida pacata, sendo uma mãe de família. Do outro, o futuro que escolheu. Ser uma mulher independente e trabalhadora, tendo sido a primeira mulher a ser aceite numa importante firma de advogados.

Surge, no meio de uma conversa memorável, e um dos melhores momentos vistos alguma vez, a pergunta de Ellen a Patty se valeu a pena. Se escolher a carreira profissional em detrimento da vida amorosa fez sentido. A resposta fica ao cargo de cada um, visto que Patty não responde. Quanto a Ellen, fica subentendido, pelo menos para mim, que ela iria voltar a trabalhar com Patty. A jovem advogada assemelhava-se, cada vez mais, a Patty, pondo a família de lado e lutando pelo que achava justo e certo. E agora que Tom não continuaria ao lado de Patty, esta iria certamente precisar da sua melhor amiga ao seu lado.

When I am through with you, There won't be anything left.


9 comentários

  1. ventilador /

    Obrigado por esta bela revisão. Vou sentir falta Patty e Ellen.

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    • João Paulo /

      Obrigado eu :)
      Já somos dois. Foi a melhor dupla que já alguma vez vi :(

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  2. Não achei perfeito, mas foi muito bom mesmo. Um final digno para a série, numa terceira temporada muito irregular. Mas, no final, as linhas juntaram-se, tornaram-se mais consistentes. Não gostei do tratamento da história do passado da Patty, pois para pouco serviu, apesar da narrativa do Michael ser boa. E assim se fechou uma boa série.

    Já agora, uma review a condizer com a nota…um 10 para a review, sff

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    • João Paulo /

      Com algum atraso, mas cá está a resposta, quase ela sendo apenas um sincero agradecimento :)

      Quanto ao passado de Patty discordo um pouco de ti, pois achei mesmo interessante e até surpreendente, mostrando que tudo é possível e as pessoas não tem limites :)

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  3. Concordo na sua totalidade com a review. O final desta temporada foi mesmo um final da série porque fechou todos os assuntos pendentes desde o início.

    A conversa final de Patty com Ellen foi brilhante e talvez das melhores coisas da série, vendo bem. Foi digno, foi excelente, um final soberbo!

    Parabéns, João, excelente review!

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    • João Paulo /

      Muito obrigado, Jorge :)

      E foi exactamente isso, um final digno e completo, não podendo desagradar a ninguém :D

      Mais uma vez, obrigado.

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  4. Breno Filo /

    Acabei de assistir este episódio, e não poderia ficar mais satisfeito. Ao saber que a série ia ser cancelada, preferi deixa-la em segundo plano, para saborear melhor o final… e que final!

    Como você bem havia dito, aquém de quaisquer dramas e suspenses (meramente insinuados eles são, inclusive), a série trabalha o lado sombrio da natureza humana, e me deixou bastante reflexivo quanto minhas próprias atitudes.

    Ellen e Patty, trabalhando juntas ou não no final das contas, nos trouxeram importantes mensagens, direta e simbolicamente. E essas mensagens vão permear bastante no meu cérebro.

    Abs.

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    • João Paulo /

      Não podia concordar mais, Breno.
      Não só foi um óptimo final por si mesmo, como transmitiu mensagens bem importantes, mostrando que Damages foi das melhores séries já alguma vez feitas :)

      Obrigado, cumprz.

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  5. Esteve longe de perfeito, mas foi bastante satisfatório. A cena final fez o episodio. Eu interepretei de maneira diferente, Patty não respondeu porque ficou com um ‘nó na garganta’, ou seja, eu acho que ela sinceramente, não sabe se valeu a pena, talvez interiormente até considere que não. Ellen pareceu-me decida a não ser a Patty, apesar de ter dito Will see you.
    O que não gostei no ep foi o final forçado do Wes/Frobisher. Isto é, a forma como a historia ressurgiu não poderia ser melhor, mas o desfecho foi um pouco fraquinho, à excepção dos dialogos com Ray Fisher!
    Enfim, o que interessa é que agora até faz sentido este ser um series finale, pareceu-me um pouco apressado, mas é melhor do que nem sequer ter um

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