Desperate Housewives – 6.ª Temporada (2009)

A 6ª temporada de Desperate Housewives tinha a difícil missão de manter a série criativamente em alta após um cliffhanger da temporada anterior não muito instigante sobre quem era a noiva misteriosa de Mike no casamento, Susan ou Katherine? Mesmo com as expectativas em baixa por parte de alguns fãs, tinha toda a certeza de que a série não iria decepcionar no geral, pois mesmo agradando a todos ou não, a série é sempre sinônimo de TV de qualidade, coisa que se vê refletida nos sólidos índices de audiência do programa.

A trama dessa temporada girou primeiramente em torno da chegada de mais uma nova família, dessa vez os Bowlen. O mistério com o fim da temporada se mostrou apenas razoável, haja visto que meio que já percebíamos que os Bowlen não eram exatamente os vilões, se adequando mais como vitimas que tentavam se proteger, o que se mostrou fato. Talvez o mistério não tenha sido tão bom por que eles não estatavam direta e pessoalmente envolvidos com uma das famílias das donas-de-casa. O ataque a Julie acabou meio que ficando em segundo plano lá pelo meio da temporada, mas já dava pra perceber que tudo seria conectado no final, como foi, e a boa sacada foi nos levar a crer que eles tivessem algo a ver com isso, e na verdade não tinham nada. A temporada começou muito bem, já no segundo episódio por exemplo, a família foi alvo da desconfiança e da perseguição de alguns moradores de Wisteria Lane, o que já esquentou logo de cara o clima. Antes as aparências eram mantidas por bastante tempo. A matriarca, Angie Bowlen, foi uma personagem muito bem-vinda a Wisteria Lane, seu jeito e maneirismos pecualiares desenhavam um contraste imenso com as outras desperates tradicionais. Sua história nem foi a coisa mais bacana da temporada, mas sempre era bom quando ela duelava e interagia com as outras atrizes, era um olhar diferente sobre a vida, os modos, e as pessoas de Fairview.

Ao meu ver, a 6ª temporada foi de duas atrizes do elenco, uma veterena e uma que entrou lá no meio da série: Eva Longoria Parker, como Gaby, e Denna Delany, como Katherine. Não tirando o mérito das outras donas de casa nem de longe, todas elas sempre tem um excelente rendimento e atuação nos propiciando ótimos momentos, mas essas duas deram um show. Eva Longoria Parker ao que me parece sempre foi preterida nas premiações, talvez um desprezo descabido para o lado da comédia da série. Se teve uma dona de casa que nos fez rir demais e muitas vezes segurou a série, foi ela. Sua dinâmica com a sobrinha Ana foi bem dosada na primeira parte da temporada, ela que teve uma saída discreta e coerente da série. Mas nada se compara às situações com a sua filha Juanita, de gênio completamente diferente do da mãe e Célia que nas pouca vezes que teve destaque também não deixou a peteca cair. A tentativa ferrenha da latina em ser um exemplo e se tornar uma boa mãe renderam vários momentos de disputa para a personagem e nos fez ainda mais perceber Gaby por outra camada, a de que ela pode ter os defeitos que for; ser fútil, egocêntrica e esnobe mas que ela luta contra isso e consegue nos cativar cada vez mais. Quem não caiu na gargalhada com a sua histórica imitação de Angie Bowlen no hospital no último capítulo da temporada?

Katherine nos rendeu, contrariando todas as previsões a atuação e os momentos mais honestos dessa temporada, em seu drama psicológico pela paixão doentia por Mike, onde a personagem apresentou uma realidade triste e profunda, que no começo era até engraçado. Sua sequencia no hospital e na terapeuta foram dignas de Emmy e de fazer qualquer um acreditar que é possível enlouquecer por amor, ou pela solidão. A história veio como uma luva na continuidade da trama da personagem. Apesar de ter adorado a personagem nessa temporada, não consigo vislumbrar a saída da personagem em um melhor momento. Nada melhor do que sair em alta. Sua continuação na série poderia acarretar um não aproveitamento da atriz na próxima temporada, o que seria completamente incômodo. Foi uma despedida sutil e em grande estilo.

A narração de Mary Alice não me pareceu muito esforçada esse ano. Suas frases, metáforas e lições de vida foram muito fracas, numa das coisas que já foi um dos pontos altos da série. Por outro lado, as minhas preces foram atendidas quanto ao maior cuidado com a trilha sonora. Se na 5ª temporada a trilha cômica pontuava até cenas que poderiam ser levadas mais a sério, nesta 6ª toda a trilha parece estar no seu devido lugar. Leve quando deve ser e melodramática na hora necessária. Ainda bem, se não fica parecendo que tudo na série é piada, e a série perde aquela mistura incrível de comédia e drama com perfeição, o que já levou ela antes a cair no pastelão e leviandade com a trama.

O evento do ano no memorável episódio de Natal não foi como tinha ouvido falar, um crossover com Lost, o acidente de avião foi em escala menor do que imaginava – ainda bem, se não o estrago seria maior. A morte de Karl me surpreendeu no sentido de que Orson estava completamente apático na temporada. Pensei que ele seria descartado a partir desse momento, mas a morte do amante de sua mulher foi apenas a escada para a sua storyline bem conduzida sobre se tornar paraplégico. Bree apesar de ter uma combinação estranha e surpreendente com Karl – o que nos presenteou com uma boa storyline, criticada por alguns precocemente – percebeu ironicamente que teria que aceitar o homem que tinha tudo haver com ela, e isso acabou rendendo muito mais. Uma pena que o Orson vá sair na próxima temporada haja visto que não consigo imaginar um futuro melhor para Bree se não ao lado dele, uma perda imensa para a série.

Carlos Solis deu raiva por vários episódios em relação a história da gravidez de Lynette no emprego, e isso serviu para reforçar ainda mais o caráter humano, cheio de falhas dos personagens nessa temporada. Adultério, rejeição, assédio moral e outros temas foram abordados sem medo de sujar a imagem dos personagens. A atriz Felicity Huffman se destacou mais uma vez com sua atuação brilhante no episodio “If…”, no futuro alternativo de Lynette, nas cenas com seu filho deficiente. As outras atrizes apenas foram vistas em maquiagens estranhas, mas que não chegaram a estragar o episódio apenas interessante. Sua dinâmica e química com Tom continua sempre muito boa, o casal consegue ser carismático até brigando ou na terapia, apesar de Lynette ser sempre a dona de casa com as histórias mais dramáticas. Quando Preston volta da Europa e junto traz na bagagem sua namorada e posteriormente noiva, Irina, as coisas ficam um pouco mais leves para ela, que acaba por aprender mais sobre as suas falhas e personalidade com a moça, que no final era uma “bitch” mesmo. Sem contar nas implicâncias e imitações do sotaque da garota que por sí só já eram engraçados e validaram a subtrama.

Outra que girou a proteger sua cria muito bem foi Susan. MJ é um prodígio, todas as suas cenas são nada menos do que hilárias. E o casamento dela com Mike apesar de ter criado uma estabilidade mesmo dentre as dificuldades, como o de Tom e Lynette, acerta quase sempre na dinâmica do casal, mesmo que as histórias da professora sempre sejam as mais caricatas e exageradas. O carisma de Terry Hatcher apaga com qualquer má impressão. O striptease de Susan contou com toda a entrega da atriz e a adição de Julie Benz ao elenco, que sorrateiramente foi ganhando seu espaço e acabou por formar uma das personagens mais cativantes da temporada, numa rápida e deliciosa participação. O episódio “Lovely” centrado nas consequências trazidas pela chegada da striper a Wisteria Lane foi um dos episódios mais legais da história da série, principalmente com a revelação do final do episódio, introduzindo a sua relação amorosa com Katherine. A atriz esteve completamente a vontade e convicente no papel com um ar por horas frágil e por outras horas sexy, e a química com Denna Delany não poderia ser melhor. Foi marcante e deixará saudades.

A Sra. McCluskey é um achado precioso e saber que ela terá ainda mais espaço na 7ª temporada me agrada em cheio. Seu namorado Roy também não fica atrás, juntos sendo um alivio cômico sempre pontuado na hora certa. Mostrando os personagens da “melhor idade” com um destaque e cuidado muito carinhoso e simpático. O casal gay, Tom e Lee, mesmo em segundo plano ainda se mantém como personagens interessantes e divertidos na série, e pelo que parece vem ganhando seu espaço aos poucos na história, resta saber o que Marc Cherry tem planejado para a dupla com aquele drama da barriga de aluguel. A modelo Heide Klun passou muito rápido que mal deu para perceber sua participação que foi bem pequena, porém bem coerente no âmbito da história passada em Nova York. Se tivessem feito mais, pareceria uma trama forçada para girar em torno da participação especial dela. Aliás a viagem de Gaby a Nova York me fez pensar que nunca tivemos na série uma viagem em família, poderia ser interessante.

O ator escalado para fazer o papel de Sam não era dos melhores, mas o seu personagem foi bacana no sentido de podermos ver Bree encontrando seu “filho ideal”, fruto de uma relação de Rex antes do casamento, mesmo que já imaginávamos que isso seria imposivel e que ela iria na verdade passar a dar mais valor aos seus próprios, mesmo que nem sempre eles sejam exemplares. Foi legal ter referências do passado da série, da longíqua 2ª temporada, na subtrama que fez Bree acabar por perder sua empresa e o marido, ao evitar que Andrew fosse preso pelo atropelamento da mãe de Carlos quando era um adolescente rebelde. Achei que Bree cometeu uma série de erros na reta final da temporada não sabendo lidar com o dilema dos homens de sua vida, Sam, Andrew e Orson. Não vejo Sam como um vilão de verdade, mas psicóticos não faltaram nesta temporada.

Quem apareceu lá pelo final para esclarecer e finalizar a história antiga dos Bowlen foi Patrick Logan, um vilão apenas correto e com um final previsível e bem morno, assim como a despedida dos Bowlen. Muitos fãs não gostam do vilão Dave da 5ª temporada, mas se a temporada só dependesse do mistério da família de Angie, ela seria um fiasco, foi um tiro certeiro incluir o personagem do Estrangulador. Muita gente disse também que era pra ter sido alguém conhecido do elenco regular, mas eu fiquei muito satisfeito em ter sido revelado que quem era o Estrangulador era o menor dos suspeitos, o jovem tímido e renegado, Eddie. Vai dizer que o episódio “Epiphany” não te deixou balançado com toda aquela história excelentemente escrita? O final do personagem foi divisor de opiniões, no sentido de que ele não era completamente mal, mas mesmo assim ele matou aquelas jovens, incluindo Irina. Ademais ficou a mensagem de que ele era mais uma vítima, um monstro criado por outro monstro. Um adendo negativo para o parto de Lynette feito pelo rapaz, soou meio forçado.

O episódio final da 6ª temporada foi relativamente bom, não se pode negar que poderia ter sido melhor,  foi satisfatório como no mínimo sempre é. Os cliffhangers foram meio novelescos, mas quem disse que Desperate Housewives não é uma novela, e das boas??? Susan se mudando de bairro, o que deve ser revertido nem que seja no último epísódio da série, Paul Young voltando para Wisteria Lane, e eu não consigo imaginar o que ele quer aprontar, e a troca de bebês descoberta pelo hospital. Bem, eu tenho um aposta já baseada nas promoções desse ano no elenco regular da série, mas é apenas especulação. Tudo pode acontecer, e eu realmente espero que não seja tão traumático, pois Desperate sim é uma série sobre pessoas e não sobre mistérios, e eu não vejo a hora de poder ser convidado a entrar de novo na vida dessas donas de casa.

8 comentários

  1. João Simões /

    Concordo plenamente como que diseste… Gostei mais desta temporada que da 5ª.
    nota084

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  2. João Paulo /

    Excelente análise! Parabéns!

    Concordo com praticamente tudo.. A dinâmica dos casais Tom e Lynette e Susan e Mike é muito boa.

    As histórias introduzidas e participações especiais também o foram… Só ficou a perder pelo final meio morno :s

    nota080

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  3. Anónimo /

    nota071

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  4. gostei bastante dessa temporada. principalmente se comparada à anterior.
    só discordo do review quanto aos destaques da temporada. em minha opnião, felicity huffman foi a atriz que mais se destacou. ela conseguiu passar cargas imensas de drama em suas cenas, principalmente no episódio If.
    Drea de Matteo também se destacou em sua participação na série, pois sua personagem tanto teve cenas intensas envolvendo todo o mistério, como também me divertiu bastante devido à sua personalidade.
    que a proxima season mantenha o nivel. nota082

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  5. Gostei bastante desta temporada, muito melhor que a quinta. No entanto discordo de ti em 3 pontos:

    1. Para mim, o season finale beirou a peerfeição. adorei!

    2. achei a saída da katherine mt rápida e mal explicada. nem uma cena final decente deram a ela.

    3. a melhor actriz da temporada foi a felicity huffman, como sempre!

    Excelente review, muito bom de se ler.

    nota079

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  6. ruialvites /

    nota080
    Um óptimo salto quando comparada com a temporada anterior.
    Só uma pergunta, será que o portal está a pensar ter reviews da série no próximo ano?

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    • Bruno Barbosa /

      Sim, o portal somente não teve rewiews da 6ª temporada da série por eu não ter conseguido acompanhar a tempo os episódios desta temporada quando entrei pro site. Mas na 7ª estaremos aqui.

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      • ruialvites /

        Óptimo :)
        PAra mim era uma das maiores faltas do site na temporada passada :) Fico contente

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