Chamo-me Dexter e não sei ao certo o que sou. A única coisa que sei é que existe algo negro em mim. Eu escondo-o. Claro que não falo dele. Mas está lá. Sempre. Este passageiro sombrio (Dark Passenger). E quando ele está a comandar-me eu sinto-me vivo. Eu não luto contra ele, não quer lutar, pois ele é tudo o que tenho. Nada mais me pode amar. Especialmente eu.
Num episódio muito estilo Miami, mais leve, a narrativa de Dexter leva uns abanões, avança um pouco e recua em alguns lados. Primeiro temos a introdução do Dark Passenger. Da personagem encarnada por Michael C.Hall, este pormenor é um dos que eu gosto mais. É uma pérola na caracterização de Dexter. O passageiro da noite, aquele que ataca quando o mundo dorme, tornando este último um local melhor para se viver.
Para além disso, temos alguns desenvolvimentos na relação com Rita. Para além da imagem final, que é vale mais de mil palavras, Rita continua a obrigar Dexter a ir para o programa. Bendito o dia, terá dito Dexter. Bendito o dia, dizemos nós. Dexter começa lá a descobrir-se a si próprio, e agora começa a ter uma ajuda. Lila é a madrinha/padrinha de Dexter, e parece que tornar-se-á uma ajuda preciosa para o seu afilhado. Quem não gostou desta relação é Rita. Mas os sentimentos de Dexter sobre esta parecem estar guardados.
A nova vítima de Dexter mostra o assassino mais emocional. Já não é um Dexter vazio, algo já existe dentro do seu coração, algo que ele sente. É para isto que serve a nova morte de Dexter. Para ele perceber que Rita é importante, como igualmente os seus filhos, nem que seja no seu subconsciente. Mas quem será este ser fantástico, que junta a um assassino alguma componente emocional. E o que poderá trazer a Dexter?
Para além disso, Dexter teve outra benesse do programa. A saída de Doakes das suas pernas, a sombra que saiu de si. Parece que o programa só ajudou Dexter. Mas Doakes não acabou. Teve uma paragem, e como ele diz, Dexter é bom mentiroso. Vamos lá ver se ele consegue manter a mentira muito mais tempo para que Doakes se acredite a sério.
Quem voltou a trabalhar é Deb. Com a ajuda de Lundy, o caso do BHB vai avançando. E Dexter têm outro problema para resolver. Parece que com o regresso de Deb a forma original, com algumas informações extras, após o caso do ITK, o ataque sobre Dexter começa. A máscara vai caindo e Dexter parece que tem de arranjar outra. Lundy é perspicaz, e com uma Debra mais empenhada, o irmão poderá ser apanhado.
Problemas para Dexter virão a caminho. As narrativas assim prometem. E Dexter quase sempre cumpre.
Nota: 8,6
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