Dexter (4.09) – Hungry Man

Dexter - 4.09 (1)Everything is exactly the way it should be. Perfect.

Essa fala que é a transcrição deste episódio provém de uma fala da Rita, durante a refeição do dia de Acção de Graças, e que resume o episódio, tudo numa palavra: perfeito.

Toda a gente já viu uma ilusão de óptica. A forma mais básica de fascinar o ser humano, as brincadeiras dos olhos, que divertem e impressionam tanto pequenos como graúdos. E foi com isso que os argumentistas de Dexter jogaram: e que tal dar uma ilusão de óptica aqui a malta, para lhes divertir? E nós de novo ficamos fascinados e impressionados pois, e apesar do ritmo normal para Dexter (ou seja, um pouco baixo) de parte do episódio, este conseguiu criar uma narrativa que, a partir do meio, se torna demasiado intensa para conseguirmos respirar em condições e, essa inspiração larga só volta um pouco depois do perfeito final.

Mas vamos a fatos concretos, ou seja, ao episódio propriamente dito. De novo temos Dexter a dividir-se em Dexter Morgan e Kyle Butler. O primeiro para a família, o segundo para Arthur e a sua família. Comecemos então por Kyle, pelas suas desavenças e descobertas.

O serão com a família Mitchell começa muito antes da refeição. Começa com um jogo de basebol e com um carro destruído. Aquilo que parecia a família perfeita, ou pelo menos quase, transforma-se no pior exemplo que Dexter poderia ter. O monstro não se encontra escondido, não senhora, mas sim bem a solta pela casa do professor e isto tem vindo a causar transtornos para toda a família. A forma como os argumentistas conseguiram esconder este facto é simplesmente perfeita, ou seja, utilizando uma narrativa com focalização interna (o narrador é uma personagem e o leitor “vê” tudo na óptica dessa personagem), neste caso Dexter, somos levados em erro ao pensar na perfeição da família que os Mitchell’s são. Mas este episódio vem por os pontos nos “is”.

Dexter - 4.09 (2)Assim, e a partir do momento em que Dexter toma contacto com Jonah, o filho mais velho (?) de Mitchell, a narrativa leva uma ensaboadela e torna-se muito mais negra. O segredo encontrava-se mesmo a frente dos olhos, ou seja, toda a família tem conhecimento do monstro que Arthur é. A partir daí, a narrativa que poderia levar para mais um conhecimento das bases de uma família feliz, leva-nos para outro: para o descalabro da máscara, com o surgimento da verdade: Arthur mantém a sua família em cativeiro “livre”, ou seja, controla-os com rédea curta. O monstro aparece maior que nunca e pior que nunca, o que leva Dexter a tornar-se ainda mais fanático da teoria “kill Arthur”.

Todos os diálogos e imagens são perfeitas para demonstrar o terror que aquela família vive, mas a cena de Rebecca, a atirar-se a Dexter e, depois, do diálogo com a mãe, que pede ao assassino para não contar nada ao seu marido. Para adicionar a isto, aquela cena de Jonah a estoirar e a destruir tudo a sua volta e o ataque de Dexter. Para além de soberba, a cena deixa umas quantas questões levantadas, tal como: agora que Arthur viu o monstro que Dexter verdadeiramente é como se preparará para o ataque do assassino? Que consequências haverá para a família de Arthur esta queda da máscara? E, agora sem o frasco da sua irmã, como Arthur se governará? Perguntas para serem respondidas nos 3 próximos episódios.

E agora passemos para Dexter Morgan. A história do dia de Acção de Graças do assassino conta-se mais rapidamente. Primeiro, o susto de se descobrir o seu segredo. O perigo de ter os segredos a vista de todos é que, de uma forma causal, se pode descobrir tudo. E Dexter sentiu na pele isso. A queda de Cody dentro do barracão de segredos colocou o coração de Dexter a bater acelerado, pois todos os seus segredos estavam ai escondidos. Ou seja, Dexter esteve próximo de se aproximar ainda mais de Arthur, permitindo que a sua família soube-se das suas actividades extra-curriculares. Mas isso não me pareça que aconteça, pois a humanidade de Dexter (como foi visível na cena em que fica com Jonah em vez de ir salvar a pele) está cada vez maior.

O restante da narrativa de Dexter Morgan foi passada em família, com Masuka (simplesmente perfeito) e Deb a fazerem o par de Acção de Graças mais esperado. O outro par, ou seja, Rita e o seu vizinho, serviu essencialmente para criar alguns problemas na, até agora, “perfeita” família de Dexter. Mas penso que não haverá desenvolvimentos aqui. Onde haverá é quando Masuka se decidir abrir com Dexter e este pensar que existem coisas onde elas não existem. Ficamos a espera.

Dexter - 4.09 (3)E agora passemos para Christine Hill, a jornalista mais cobiçada de Miami. Quem esperava aquela reviravolta? Primeiro parece que Christine passou a ser a principal suspeita para a causadora da morte de Lundy. A jornalista, que parecia estar só a preencher cenário, ganha, assim, uma dimensão fantástica e, para isso, bastou um telefonema entre Deb e Quinn. E, para quem estava a espera que as surpresas ficassem por aqui (ou seja, a maior parte das pessoas), a cena final surpreendeu. Então Christine é filha de Arthur. Duas narrativas totalmente distantes juntam-se automaticamente e a história, que parecia ter muitas peças soltas, torna-se muito mais completa. As perguntas que surgem podem ser mil e uma, mas de novo escolho umas quantas: primeiro, saberá Christine da verdadeira realidade do pai? Depois, será que a família de Arthur saberá que Christine é filha de Arthur? E daqui surge: e será mesmo a jornalista filha do Trinity? E, para acabar: terá Christine a mesma condição do “pai” ou andará apenas a salva-lo das mãos da polícia? Perguntas a espera de resposta.

E, como normalmente, os retalhos do episódio:

  • Alguém de um prémio ao John Lithgow, se fazem o favor.
  • Deb está cada vez mais próxima do Trinity, após descobrir a sua profissão. Vamos ver de novo uma corrida entre Dexter e a sua irmã a procura do assassino?
  • A fantástica cena de Cody a pedir a Deb para ver as cicatrizes. Só faltou dizer “Uauuuu”.
  • O novo virtude de Masuka.
  • A fala de Astor para Masuka. Hilariante.
  • De novo o romance entre LaGuerta e Batista não é nenhuma benesse para a série. Pelo menos teve uma cena interessante. Mas não deu para desfocar o brilhantismo do episódio.

E Dexter volta a surpreender. O episódio que só tem uma palavra para o descrever: perfeito. E leva nota a condizer.

100

7 comentários

  1. Não há palavras para descrever esta série. Andei até preocupado ao pensar que nunca iria haver uma season melhor que a primeira. Estava enganado, completamente enganado. Que regalo!! sa5262sa

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  2. simplesmente a melhor temporada de dexter, muito dificil achar um episodio mediano pra baixo todos estão otimos e esse ultimo então… as26as

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  3. 10 mas um 10 muito bem merecido, mesmo !!

    PERFEITO ! Dexter deixa-me sem palavras e boquiaberto …

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  4. Lucas Lima /

    A única série da televisão que, a cada temporada, melhora ao invés de decair.

    Perfeito!

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  5. concordo com tudo que vc disse realmente perfeito esse episódio, nao consegui tirar os olhos da tela durante o episodio todo e fiquei boquiaberto com o final

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  6. Nunca havia visto aqui no site uma nota 10, e apóio isso, afinal, dificilmente um episódio pode ser perfeito. No entanto, quando se trata de Dexter as exceções devem ser levadas em consideração. Como uma série pode ser tão bem produzida? Como um elenco pode ser tão entrosado? Como Michael C. Hal pode ser tão completo? Como a história pode ser tão bem costurada? É incrível a qualidade de Dexter. Não sei o que vou fazer quando terminar a última temporada. Acho que sentar e chorar. Se Cristine era um mistério e uma peça mais ou menos solta na série, de repente ela se torna algo surpreendente! E eu me pergunto por que ela publicou aquela reportagem sobre a investigação de Lundy? Queria ela jogar as suspeitas sobre seu próprio pai? Ou será que ela o ama e quer protegê-lo? Será que a família atormentada de Arthur sabe da existência de Crsitine?? Gente, e as cinzas? Como Artur vai deixar sua assinatura nas cenas de seus cirmes agora? Não tenho palavras para descrever a cena em que Jonah tem seu pequeno surto e destrói tudo. A loucura que tomou Artur e a revelação de Dexter como ele realmente é. Foi genial, genial. Mereceu a nota 10!

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  7. Apesar de não me simpatizar muito com o rítmo lento que a série tem, não consigo perder sequer um episódio e este último, foi divino. Sinceramente que eu pensei, assim que Christine abriu a porta para o Arthur, que ele estava ali para matá-la, mas quando ela o chamou de pai, meu queixo caiu. Agora é só esperar o décimo episódio para saber que tipo de relação ele tem com essa filha, e se foi ela quem atirou na Debra.

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