Dexter (4.11) – Hello, Dexter Morgan

Dexter - 4.11You watch too much TV.

Esta frase aplica-se completamente à minha pessoa. Toda gente me diz que passo demasiado a frente do ecrã, que vejo demasiadas séries. Mas, e com episódios destes, torna-se difícil passar pouco tempo a frente do ecrã. Pois são estes episódios que me conquistaram no inicio e continuam a conquistar diariamente. Se eu vejo demasiada televisão, a culpa é de episódios e de séries como Dexter. E, se a culpa for minha, com episódios destes sinto-me feliz por ser culpado.

Vindo na senda dos anteriores, este episódio arrefece o ritmo alucinante que a série andava, concentrando-se mais numa recapitulação do que se passou até aqui e na conclusão de narrativas que não influenciariam o acabamento da narrativa principal da temporada. Foi principalmente isso que os argumentistas tentaram fazer neste episódio: dar uma arrumadela à casa, prepara-la para o que se espera ser um grande final, e, mesmo assim, conseguir ainda colocar mais dados na mesa no que toca a Trinity. A mestria como os escribas da série se movimentam em águas tão tormentosas é deliciosa de apreciar e de aplaudir.

De recapitulação temos as várias personas que Dexter se desdobra. A cena do espelho dá para ter noção a confusão onde Dexter se encontra. Os heterónimos do Serial Killer dividem-se em duas pessoas: Dexter Morgan e Kyle Butler. O primeiro é pai/marido, analista forense e Serial Killer; o segundo é divorciado, um perdido na vida. Ambos vivem e sobrevivem devido a necessidade de Dexter criar máscaras e, agora, são estas máscaras que fazem com que a vida de Dexter seja aquilo que é: uma manta de retalhos bem presos, mas onde se começam a encontrar algumas falhas.Dexter - 4.11 (2)

E é numa destas falhas que se encontra o buraco por onde Arthur entra na vida “real” de Dexter. O jogo do gato e do rato passa da perseguição do primeiro em relação ao segundo para o contrário. Arthur roda o tabuleiro e começa a ameaçar o rei de Dexter, que já não tem nada para o proteger. Assim, num jogo em que Arthur estava cada vez mais em cheque, as jogadas feitas neste episódio fazem que a igualdade retorne, acabando aquele “Hello, Dexter Morgan” por tirar todas as dúvidas: o jogo de xadrez está aberto, os reis estão em posições incomodativas e Dexter ainda tem de proteger alguns piões (entre os quais a família, para além da profissão), ao contrário de Arthur, que não tem muito mais a perder do que aquilo que já perdeu. Um jogo até a morte, de paciência absoluta, que poderia ter acabado logo no inicio, quando o destino fez a jogada mais rápida de xadrez, o cheque pastor, mas Kyle Butler salvou Arthur.

Para além deste jogo de xadrez, a série traz-nos outro jogo de paciência e de ânimos exaltados: Christine contra a sua vida. A filha de Trinity acaba por se suicidar, mas não sem antes colocar as peças na engrenagem para fazer com que a sua morte não seja em vão para a série. Primeiro, a cena de desprezo do pai por ela, que levaria ao suicídio. Uma síndrome de Estocolmo demasiado entranhado na vida da repórter, mas uma síndrome livre. A conclusão de que tudo o que fez pelo pai não valeu a pena, pois ele nunca a amou e que ela foi sempre um apêndice dispensável na vida do Dexter - 4.11 (3)assassino. Assim, a vida da repórter torna-se insignificante e o suicídio surge como a forma de terminar com isso. Mas não sem deixar meia-verdade espalhada pelo mundo: foi ela que matou Lundy. A cena onde ela e Deb estão frente a frente e a repórter pede desculpa é fantástica, ainda por cima com as excelentes interpretações das duas actrizes.

A terceira peça do episódio foi a última construção mirabolante de Dexter. Ao tentar salvar a sua pele e o seu código, decide atirar o nome Trinity para um camionista, ficando assim com o caminho livre para a sua presa. Mas não me parece que a polícia fique convencida, tanto mais que Deb diz uma das melhores verdades da série: alguém que cometeu tantos assassinatos sem erros e agora comete uma série deles? Suspeito.

Retalhos do episódio:

  • O “Fuck You” de Jennifer Carpenter é delicioso.
  • A cena onde Arthur vê o seu trabalho todo espalhado por um quadro e diz “My, my” é das melhores da série. Parece um pintor que pinta sem ver, e que certo dia consegue recuperar da cegueira e visualizar toda a sua obra. Mais uma pérola de John Lithgow.
  • Voltando a Jennifer Carpenter, e a forma como ela sofre para apagar o nome de Lundy do quadro. A forma como a actriz consegue levar a interpretação tão longe deve-a levar a um prémio. Mas também se torna mais fácil quando tem companhia como Michael C. Hall e John Lithgow.
  • O casamento entre Batista e Laguerta foi a melhor forma de acabar aquela pastosa narrativa. Pouco interesse estava a ter, agora vê-se mesmo que só serviu para “encher chouriços”. E para dar um sorriso por Dexter ter sido chamado para uma situação tão supérflua.
  • A forma como a crise na família Morgan se resolveu. Primeiro, com um Dexter pouco importado, com o sangue do Serial Killer a voltar a sobressair. Depois, com o Dexter já desenvolvido, e com aquele murro. Li que este murro não foi sincero, mas sim uma parte da máscara. Não acho, acho que foi um murro sentido e que mostra que Dexter está diferente.
  • A forma como Masuka diz a verdade a Dexter é soberba, não é?

Assim ficamos a espera do The Gateway. Dexter está entre a espada e a parede e a Season Finale promete ser inesquecível. Alguém já está a desejar que chegue segunda-feira? Eu estou.

PS: Acho que isto chega para apimentar o que está para vir. Jennifer Carpenter numa entrevista num aviso em relação ao final: Call Your Therapist! O meu já está sobreaviso.

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4 comentários

  1. Há temporadas míticas como a 1ª de Prison Break, 4ª de Supernatural, 1ª de Friday Night Lights, 5ª de 24 e agora junta-se Dexter com esta magnífica 4ª temporada mesmo depois de muita gente ter pensado que a série estava acabada e desistido da mesma. Não se podiam enganar mais!!!

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  2. A serie ta otima os episodios tão num ritmo cada vez melhor,e segunda feira ta sendo o melhor dia da semana graças a dexter,hehehe

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  3. Tiago Duarte /

    Acho que este episódio foi mais parado que os últimos dois, mas teve momentos tão, mas tão deliciosos. Oh, my, my! do trinity ao ver os quadros foi muito bom. Também acho que o murro do Dexter foi sincero.
    É assim, acho que o Dexter tem tido sentimentos nos últimos tempos, esses sentimentos são como uma névoa para ele, ele não os entende, mas acho que revela já algumas sensações. Acontece que ele não sabe como as processar, a sua confusão e constante crise de identidade deve-se a isso.

    Outro dos momentos deliciosos foi quando Dexter chega a casa e vê o vizinho e o seu monologo foi: Não vás lá, vai para casa ver o history channel. Foi muito engraçado e um sarcasmo/ironia deliciosa.

    Para mim o final do episódio foi o melhor de sempre. Olha Dexter Morgan. Morgan nunca teve em tal estado de confrontação, maravilhoso.

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