House (6.15) – Private Lives

Uns senhores chamados Daryl Hall e John Oates formaram, ainda no século passado, mais concretamente no ano de 1969, um duo, frequentemente mencionado como Hall & Oates. Misturam dois géneros que eu, particularmente, gosto: o bom Rock and Roll e Blues. E, no seu (longo) cartório contam com uma música que se intitula Private Eyes. House vira-se para este lado, para os cada vez mais olhos privados que observam a nossa vida, constantemente e sem pedir por favor. House vira-se para a falta de privacidade que começou a existir quando se propagaram três (mais propriamente uma) letrinhas pelo mundo: WWW. World Wide Web, traduzido para um português corriqueiro, significa rede de alcance global. E, tal como a palavra mãe, três letrinhas significam muita coisa. Significam um novo mundo, significam novas vidas, significam, até, novas pessoas. O Big Brother anunciado por Hall & Oates em Private Eyes atingiu alcances inimagináveis. E a imaginação do homem é bastante fértil.

Esta viagem de House a vida cada vez mais pública torna-se um caminho insuficiente. O Mateus Borges e eu, pela fantástica ferramenta que é o Twitter (outra forma de tornar a vida menos privada), falávamos, numa conversa muito curta (140 caracteres é muito pouco) que as aberturas de House, principalmente esta última, estavam a ser fracas. Desinspirada, faltando o brilho que nos prende logo no início. Apesar de, no decorrer do caso, irmo-nos separando deste e, chegamos a um ponto, que o outro episódio de House que passa na TV está a ser mais interessante que o que passa no PC…e o que passa na TV já o vimos. Assim, e sem esta entrada, ficamos logo desprendidos do caso, ficamos livres. Só que neste caso não olhei para a TV. Primeiro, porque estava a dar Hannah Montana na TV (a minha irmã possuiu parte do monopólio do comando…o comando é dela, digamos) e, depois, porque as coisas interessantes se passavam ao lado numa conversa de MSN. Mas, mesmo assim, deu para ver que a série manteve o mesmo olhar sobre uns casos: cada vez mais a sua existência está lá porque precisa de estar. Pois, apesar de já termos visto House curar uma gata, não é uma coisa interessante. Mas também vermos uma pessoa a escrever, ainda por cima pior de quem vos escreve (quem escreve sobre a não satisfação porque estão chateados nunca ouviu falar (e guinchar…tinha de vir a piada de mau gosto) sobre o sexo de reconciliação…espreite algumas séries/filmes para ver se descobre). E isso ainda torna o caso mais desinteressante.

Mas para que serviu o caso? Para além de plano de fundo, um horizonte que parece inatingível mas tem de lá estar, serviu para reflectirmos sobre como a rede global influencia as nossas decisões. E como há pessoas maníacas por isso. E que os vegetarianos não sabem o que é bom…ou são masoquistas (não tenho nada contra os vegetarianos…só que pouco mais tinha a tirar do caso e, como, ainda não tinha falado grande coisa, lembrei-me da carne que comei a noite, e estava deliciosa). Ah, e que o amor pode vencer a rede global. E mais nada…

De resto, interessante ver a narrativa de Wilson/House/Chase. Foi a parte mais interessante do episódio, o trio de solteirões ir para um encontro rápido (falta-me melhor expressão). Daí surgiu a primeira situação hilariante mas, depois, a forma como concretizou-se para Chase prejudicou o episódio. Quem se interessa se ele tem raparigas só porque é bonito? Quem? Eu não…pelo menos daquelas. Depois temos House, com o seu pai, que agora é pastor. A narrativa foi uma repetição da condição do médico: alone in the world. A procura de confronto em todos e fugindo de todos. Um paradoxo que para quem vive sozinho parece uma verdade absoluta. E, para além disso, de ver que os problemas da pernas estão a voltar. E eu logo suspirei e pensei: não vão voltar a isso, pois não? Espero que não, pois seria um retrocesso, algo que também aconteceu, se não me falha a memória (que me falha algumas vezes) da segunda para a terceira. Vamos ver o que saí daqui.

E, depois, a pérola do episódio. A parte divertida, hilariante, deste. Wilson in a porno. Alguém imaginava? E, depois, tudo o que seguiu ainda foi melhor. House a gozar o seu amigo, todos os posters espalhados (até um à entrada do hospital) e toda a envolvência do pessoal médico a volta da piada. House tem destes momentos: consegue divertir, apesar do resto poder ser mau. E é o que vai safando a série. E, claro, que a verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima…ainda por cima com uma centrifugadora chamada Gregory.

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Categorias: FOXReviews

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Sobre o Autor:

Ao som de grades quebradas entrei no mundo das séries. Enquanto os manos Scofield e Burrows saiam da prisão, eu ficava preso ao sofá a ver as suas aventuras. Após isso, e como o que sabe bem é para repetir, comecei a vaguear por outras séries, ainda no meu barquinho de borracha. House, Bones e Burn Notice. Depois saltei. Saltei para Lost, Chuck, Dexter, entre outras. Até que me convidaram para escrever e saiu isto…agora tenho um barco de borracha que navega por mares mais profundos, alguns com 7 palmos, e que tenta apanhar peixe graúdo. Resumindo: sou o capitão Iglo das séries.

Comentários (6)

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  1. Sérgio diz:

    Este episódio tentou seguir story lines diferentes e só por isso já merece algum mérito..
    Mas essas mesmas linhas não foram extraordinárias nem brilhantes.. apena boas..

    Cada vez mais vejo a série porque a acompanho desde o inicio e por gostar destes casos médicos com uma grande personagem principal.
    A série está boa para quem acompanha séries ocasionalmente, agora alguém como eu que segue cerca de 20 séries por temporada, nota o cair na rotina com uma facildade tremenda.

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    João respondeu:

    A cuddy n aparceu mto mas a cena com ela foi das melhores mesmo.

    http://sssseriestv.wordpress.com/

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    Sérgio respondeu:

    Concordo, esse momento foi muito bom.

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    António Guerra respondeu:

    Esse comentário tive eu e o Mateus no twitter: a série, para quem acompanha ocasionalmente, torna-se como um escape. Assim, e para quem acompanha as ditas 20 (agora um pouco menos) séries semanais, para uma se elevar é preciso algo extraordinário. E House consegue isso momentaneamente, uma vez aqui, outra aqui. Mas isso são excepções, tornando-se a temporada uma série de casos não relacionados. Essa é a característica de House, um procedural médico, mas acho que nós necessitamos de mais para cativar. Mas, como tu disseste, não foi dos piores. Teve várias linhas narrativas que se construíram sem importunar, algo que a série, às vezes, não consegue…

    Só uma nota, que referi subtilmente no review: acho que esta temporada, em termos de humor, tem sido superior a anterior…

    Cumprz

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    Sérgio respondeu:

    Por acaso comentei isso com um colega meu.. a outra temporada usava e abusava do sofrimento que advinha do vikodin e quando fazia algum humor era sempre daquele a roçar a má educação, bastante agressivo.
    Já esta season, tem construído situações mais elaboradas com humor porreiro.

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  2. katiane diz:

    Concordo quando a situação concretizou-se para Chase prejudicou o episódio, ficando tipo” ai eu sou lindo(prefiro 1000 vezes o House, masss…), só querem o meu corpo”, ficou um saco de ver.O wilson e a sua fase filme pornô foi ótima, já o pai-pastor de House pode render alguns secretos ou apariçãoes futuras.

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