Hung (1.01) – Pilot

Hung posterQuando ouvi a primeira notícia de que a HBO estaria produzindo uma comédia sobre um homem que planejava ganhar dinheiro vendendo seu…. bem, pênis, logo me veio à mente o tipo de série que a emissora de True Blood e Sex and the City gostaria de fazer: sua própria versão de Californication, protagonizada por David Duchovny (The X-files), na emissora rival, Showtime, e que apesar de não tratar de prostituição, tem como foco as aventuras sexuais de seu protagonista.

Com isso, ficou difícil assistir o piloto de Hung – que por acaso significa algo como “bem dotado” – sem fazer comparações com Californication. Porém não demorou muito para que as duas séries mostrassem suas diferenças. A princípio poderíamos dizer que Ray Dracker – interpretado por Thomas Jane (The Punisher) – é muito parecido com Hank Moody. Os dois são homens fracassados, que falharam não apenas com suas esposas, mas também levam um relacionamento difícil com seus filhos. Mas as semelhanças acabam aí. Ao contrário de Hank, Ray não é um sucesso entre as mulheres, muito menos tem um emprego que lhe renda prestígio, ao contrário, está afundado em dívidas por ganhar pouco como técnico de um time de basquete de uma escola de Detroit. Além disso, falta a Ray algo que sobra em Hank, ou seja, autoestima e esse estilo despreocupado de viver a vida.

Ray não decidiu vender seu corpo por diversão, e muito menos está orgulhoso por decidir se prostituir para pagar suas dívidas. Ele é um completo fracasso, daqueles personagens que chegam a nos dar pena por terem uma vida tão ruim. E apenas esse fato já é o suficiente para nos fazer querer ver os próximos episódios da série, para descobrir como a vida desse personagem irá mudar, assim como sua personalidade, devido à sua nova profissão.

Porém a série não se limitará a explorar apenas Ray. Ao redor do personagem, há outros personagens que prometem boas histórias . Primeiro temos sua família. Além dos filhos, ambos adolescentes incompreendidos pelo pai, temos sua ex-esposa Jessica – Anne Heche, saindo da cancelada Men In Trees para cair na HBO –, quem Ray provavelmente tentará reconquistar durante a temporada, e se acontecer será mais uma semelhança com Californication, e Tanya (Jane Adams), uma poeta com quem Ray teve encontros casuais, e a responsável por lhe dar a ideia que move toda a série enquanto soltava os cachorros em cima do personagem por considerá-lo cafajeste. Bem, não vamos defendê-lo, Ray realmente não é um completo santo, e os primeiros minutos da série – em que arranja uma desculpa para não ter que assistir à partida de seu próprio time prova muito bem isso. Sobre Tanya ainda há algo muito importante a ser dito: é justamente a mulher que servirá de cafetão de Ray, nos deixando curiosos sobre como essa dupla irá se relacionar nos próximos episódios, ou mesmo que tipo de clientes Tanya irá arranjar para seu sócio e também affair.

Com o passar dos episódios, espero ver muitas cenas cômicas envolvendo Ray e suas clientes, baseados na inexperiência do personagem na profissão e obviamente nas clientes loucas que devem aparecer por aí. Porém, também é provável que justamente esse tipo de situação traga mais semelhanças para Hung com relação à Californication, colocando a série em perigo de se tornar apenas uma cópia da divertida e descompromissada série da Showtime. Mas isso já é assunto para o episódio 1.02, que vai ao ar hoje, inclusive. Vamos esperar e ver que rumo a série irá tomar para depois comentarmos.

Para finalizar, destaco a minha surpresa com relação a duas coisas nesse episódio piloto: primeiro, a quase ausência de nudez, contrariando tudo o que poderíamos pensar de uma série que trata sobre sexo. Foi uma estratégia elegante, visto que a série não precisou de nenhuma vulgaridade para conquistar a atenção, mas fica difícil acreditar que será sempre assim, ainda mais falando de uma série da HBO, famosa pelas cenas picantes que insere em suas produções. O segundo ponto a se destacar é a excelente abertura da série, que juntou uma boa música, com cenas de uma Detroit nublada e em decadência, e o próprio protagonista, deixando peças de roupa por onde passava, para acabar no lago de sua própria e velha casa. Apenas a abertura já é o suficiente para nos deixar no clima da série, está aí mais um seriado bem produzido pela HBO. Agora é torcer para que vire sucesso.

Nota: 8.6

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4 comentários

  1. Rice diz:

    Eu também gostei muito do piloto..

    A serie tem um bom ambiente e a voz off cria uma certa cumplicidade entre o personagem de David Duchovny e o expectador.. algo parecido com Dexter…

    Mas o segundo episódio é que possibilita ver se é uma boa serie ou se é apenas uma serie com um bom piloto.

    a ver vamos..

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  2. Matheus diz:

    Ainda não assisti mas pelo oque li parece ser uma otima serie.. to indo baixar o piloto. :}

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  3. ≈ Matheus diz:

    aaah.. muito foda a serie.. parece ser muito boa. :D

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  4. Lucas diz:

    Ainda não assisti, mas parece ser muito boa! :D
    Definitivamente, a HBO sabe fazer séries.

    [Responder]

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