Poder. Escapando entre as mãos molhadas de alguém que, de tanto o ter, o quer perder. O poder é algo que todo e qualquer ser humano sonha. Desde os primórdios dos tempos, seja em termos humanos ou pessoais, que se procura o poder. O poder de controlar o fogo ou o poder de controlar a mãe. Todos nós somos construídos na base do poder. Mas, a medida que se cresce, o homem quer mais. O fogo é apenas uns paus a carburarem. O que interessa é controlar a água, a terra, o ar. Tudo. A mãe é apenas algo adquirido. Importante, mas algo que estará mais. Outros voos se pedem às pequenas asas de uma criança. Nascemos do poder e somos recordados por isso. Pois, ao contrário do que a morte sempre quis, o poder é algo imortal. Camões disse que cantaria “aqueles, que por obras valerosas, se vão da lei da morte libertando”. Desculpe o poeta de um só olho mas com mais que os restantes seres humanos, mas as obras ficam para ser destruídas. O poder penetra não na pedra que constrói as mesmas obras, mas sim na terra. E a terra, venha quem vier, está cá para todo o sempre.
Num episódio mais consistente mas mais parado que o anterior, a série dá um salto gigante na narrativa. Os avanços em Kings são algo que ocorrem episódio sim, episódio sim. Mas, em termos de narrativa principal, seja lá qual ela for, há episódios que parecem estáticos. Ninguém, no seu perfeito juízo, dirá isso deste episódio de Kings. Insurrection é um episódio com princípio, meio e fim. Princípio desde o tratado entre Gath e Gilboa. E é daí que partimos.
Ao contrário do episódio anterior, onde as narrativas só se juntam no final, este episódio tem a virtude de juntar tudo logo no mesmo lado. Começamos logo por ver Silas a colocar o poder em funcionamento, a tratar de começar as colocar as medidas impopulares na ordem do dia. A governação é um acto de uma cabeça, várias sentenças e, num regime monárquico, isto fica exponencialmente evoluído. Silas pega no poder que o dinheiro e Deus lhe deu, um cada vez mais separado do homem do poder mas ainda a funcionar, e decide começar a doar o que ficou acord
ado.
Mas, e como em tudo, o poder do povo costuma ser maior de qualquer rei. E o povo levanta-se em desacordo com qualquer medida impopular. Vendo as suas terras a serem retiradas, nada mais resta do que lutar. Lutar por aquilo que o suor construiu, que o sangue regou. As terras, no fundo, são mais que poder. São trabalho. Silas, rei experiente, conta com tudo. Por isso manda para as trincheiras o seu homem mais valoroso. David, após enfrentar Golias, tem de enfrentar o seu próprio povo. Luta pior não poderia ter…
Isto porque, pela primeira vez na série, David é posto em frente de algo que não queria estar. Estar entre a lealdade do rei ou da família é pior que estar entre a espada e a parede. Pois, entre ambas, existem lados para fugir. Entre a família e o rei só subindo para os céus. A intervenção divina, ao contrário dos episódios transactos, não aparece. Resta a David decidir para que lado quer cair, que coração quer perder.
Ao perder o da família, o nosso herói decide dar outra amostra de lealdade para com o rei. Claro que o seu irmão, não tão próximo a Silas, decide lutar. E, quando tudo parecia perdido, aparece Michelle. A bonita menina loira decide ser rainha em casa de princesa, decide puxar a si a responsabilidade.
Isto porque, apesar disso, existe outro confronto noutro ringue. Silas luta contra o seu filho, que agora decidiu que quer subir ao trono. Jack decide utilizar o poder do tio para deitar o pai a baixo. Mas as loiras dominam o reino de Silas e, do nada, surge Katrina Ghent, a salvadora da pátria. A entrada da nova personagem vem baralhar um pouco as contas à oposição, que via o rei pronto para cozinhar. Silas, após tratar do filho, decide ir salvar a filha…
E é, em situações de combate, que se demonstra lealdade. David, apesar de tudo ter contra, decide de novo abraçar o seu rei. Decide salvar a sua amada, decide salvar o seu irmão. Decide lutar contra o destino de perder no sangue e na guerra aquilo que ama. No fundo, apesar de inicialmente parecer um acto de lealdade, é unicamente um acto egoísta de quem tenta não sofrer mais. Lutar contra o destino que tem dado bastantes dores.
É assim que tudo acaba. David salvando-se do destino manchado de sangue, mas sabendo que Silas não é homem para confiar. As provas que lhe mostra são de um homem sem coração, como Thomasina, demasiado racional, mas que tem uma ligação por David que o faz esquecer isso.
Quem não gosta deste homem é o seu braço direito, que decide também juntar-se à oposição. Ne
sta dança de cadeiras, parece que Jack volta para o lado do pai. Talvez mero formalismo. Pois, na luta do poder, tudo vale. Falta perceber isso a David, que está metido no meio destes jogos de roleta russa…e já se sabe que a arma acaba por disparar alguma vez.
Última nota para Samuels, que continua a analisar os sinais que vem de cima. Fumo negro se alastra pelo céu. Das duas, uma: ou ainda não temos novo rei (menção a nomeação papal) ou que o futuro está negro para o reino da borboleta. Ou uma mistura das duas…
Num episódio bastante consistente, a série mostra-nos mais umas quantas facetas, evoluindo bastante nas narrativas principais. Com as personagens construídas é isso que se espera. E que, no fundo, a série voe nas asas de uma borboleta. Essas que nunca põem os pés na terra do poder.

Opah, tu bem tinhas dito que vinham de rajada.. vou rever o episódio e logo passo por aqui lol
Um personagem que aprecio bastante na serie, passa meio despercebido mas tem uma presença muito forte é o Samuels, sempre por tras de uma boa narrativa. Ele vai ganhar destaque mais para a frente mas é sempre bom ver uma serie onde nao é APENAS um personagem bom e os outros todos maus
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Primeiro, e antes de mais nada, pedir desculpa pela demora da resposta.
De resto, concordo absolutamente contigo. Samuels é uma personagem fantástica, que vai crescer e que demonstra o lado divino da série, para além de ser a personagem mais “racional” da série.
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É uma grande satisfação ler uma review tão bem construída e desenvolvida como a tua.
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Já sabes que sou grande fan das tuas primeiras partes das reviews, acho que sobre isso não vale a pena dizer mais nada
Sobre o episódio, relativamente mais parado que os anteriores mas extremamente evoluído e necessário para o que há-de vir. Podemos começar a perceber que Silas começa a cair perante o seu povo quando um (possível) novo rei começa a erguer-se, o povo respeita-o, o povo admira-o, esta será a real batalha de David contra Golias.
Com a narrativa sempre incrivelmente poderosa, é realmente satisfatório ver de forma tão gradual e genuína a evolução de David e a queda de Silas, o ódio de Jack e o amor de Michelle.
Tudo é perfeito, tudo é conduzido de forma sublime.
Perfeito é também a banda sonora que neste episódio pouco se fez notar mas quando apareceu deu uma intensidade à cena fabulosa.
Elogios não faltam a esta série que me deixa triste pela estupidez universal da NBC, estamos perante uma série que deveria ser assistida por todo o bom amante de séries.
Uma última nota para ti António, …, esmeraste-te naquela que para mim foi a tua melhor review de Kings até então. Talvez possa estar a exagerar (diz-me tu..?) mas acabei de ver a review de Rubicon do eps 7 e estou de rastos lol
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Muito obrigado pelo elogio. E podes continuar a dizer…para depois, quando criticares, se notar a diferença
Quanto à série, referir que o confronto entre David e Silas está num pára arranque constante, mas é importante para a série crescer. Claro que, no pára arranque, as personagens crescem, a narrativa também, e assim Kings cresce completamente.
Quanto a banda sonora, não a tenho referido porque quero guardar para a review de temporada. Mas concordo absolutamente contigo: fantástica banda sonora, acompanhando pelos fantásticos diálogos.
De resto, duas últimas notas. Primeiro de novo agradecer o apoio e ainda bem que gostas das reviews. No fundo são quase feitas para ti
(e para o Ricardo Lima, que as revê)
Quanto a Rubicon, tenho uma opinião completamente diferente da do Bruno e, por exemplo, eu achei fantástico esse episódio que referes (8,4 na nota). Acho que a série ainda vai crescer, apesar de, tal como Kings, só deveremos ter uma temporada.
O que é bom acaba depressa, para nosso mal.
Cumprz (e vou já responder a outra review…)
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Sinceramente, acho que não seria nenhum escândalo ver Rubicon a ser renovada, as audiências já não são o que ao início foram, mas num canal a cabo esse não é o único peso a pôr na balança. A ver vamos… (mas sim, também não estou muito confiante)
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