Lie to Me (2.11) – Beat the Devil

Martin: Good chess players think 5 moves ahead. Cal: Great chess players think one move ahead, but it’s always the right move.

Desde o início dos tempos que o xadrez é mencionado. A sua origem pode ser comparada a de Cristóvão Colombo. Ambos procuraram o mundo e navegaram por ele, ambos saíram da lei da morte. A diferença é que Colombo deixou o seu ovo mas já se foi, o xadrez continua a batalhar entre cavalos e rainhas. Mas, e se da origem não se sabe, sabe-se que o xadrez começou a sua subida a torre cerca de 1450 e picos. A partir daí ficou até aos nossos dias, como um jogo de estratégia delicioso, fazendo as mesmas delícias a todo o mundo. E eu, este capanga que vos escreve, decidi dar-vos esta informação para fazer o seu joguinho de xadrez na review. Pois o rei dos procedurals está de volta…e não vem nu.

Peão para c4. Cal Lightman decide ir dar uma palestra a uma escola sobre as impressões faciais. A mentira não se esconde por de trás da pele, mas sim os sentimentos. Os músculos, traiçoeiros, é que mostram tudo. No meio da palestra, aparece um desafio. Alguém que resolve mostrar a verdadeira cara, escondendo-a. Mostrando a Lightman que o consegue controlar. Se o desafio nasce aí, não morre sobre essa mesa. Não, só aí é que estava o inicio. Peão para e5.

Cavalo para c3. Esta é a particularidade do caso. Dá-nos o culpado no início e constrói a partir daí. Não vemos em nenhuma série do tipo este tipo de construção. Assim, e já com o suspeito marcado, Cal começa a sua procura. É engraçado ver a personagem a lutar contra o mundo pois, apesar de a sua parceira o apoiar, até ela discorda dele. Mas o britânico não é homem de desistir das suas crenças. Começa por fazer a sua jogada ao dizer a Martin que sabe da verdadeira natureza deste. Bispo para c5.

Cavalo para d5. Assim, e para adicionar a isto, temos o caso com a professora, antigo amor de Cal. O detector de mentira ambulante parece que tem um ex-amor em cada esquina. O caldo fica mais quentinho quando Cal, para demonstrar a sua confiança, começa a espalhar a palavra sobre a verdadeira identidade de Martin. Começa a enerva-lo. E ganha vantagem quando vê chegar a fugitiva às mãos do psicopata. Rainha para h4.

Cavalo para f6. Xeque. A ameaça começa a surgir e Martin decide atacar. Ao ver a perder a vantagem no jogo que está a jogar, decide fazer xeque a Cal, ameaçando Ria. Claro que o tiro sai-lhe pela culatra, pois Cal sabe utilizar isso para seu proveito. Acaba com a ameaça, ao traze-lo para ser interrogar, e lança a deixa. Rapta a tua querida professora. Martin caí como um patinho. Perde as estribeiras enquanto é interrogado e, posteriormente, caí na armadilha preparada por Cal. Peão para f6.

Bispo para a3. Como dizia Martin, um bom jogador de xadrez é aquele que consegue prever 5 movimentos. Ele é unicamente isso. Prevê o que Cal iria fazer e não rapta a sua professora. Rapta o próprio colega de jogatina, leva-o para o seu mundo, onde viu a sua irmã morrer e de onde nasceu o ritual. Cal parece ser apanhado desprevenido. Parece não esperar a jogada do seu companheiro. Esta forma de colocar a personagem principal numa situação complicada resulta sempre. Se já tinha resultado com Ria, com Cal torna-se ainda melhor. Claro que sabemos que haverá carta na manga, mas é sempre aquele sentimento de espera. E, após passar por toda a tortura, Cal decide jogar a última peça. Rainha para f2. Xeque-mate.

Pois, se um bom jogador é aquele que consegue prever 5 movimentos, um ainda melhor é aquele que acerta sempre no próximo movimento do parceiro, o excelente jogador de xadrez acerta nos próximos 5 movimentos do oponente. Cal Lightman, no alto da sua experiência, fez isso. Adivinhou as jogadas, e deixou-se envolver para, depois, dar a machadada final. Martin, pouco habituado, não conseguiu prever bem as 5 jogadas do oponente. Perdeu para o mestre.

E assim, num jogo de xadrez, se construiu um excelente caso. A construção contrária beneficiou o episódio, criou outro ritmo. A caça ao homem é sempre algo extraordinário de se ver, ainda por cima quando sabemos quem é o homem mas não sabemos como. E ver este jogo a decorrer, desde o início ao fim, é uma delícia. Ainda mais deliciosa quando vemos Tim Roth a contracenar. Muito bom.

De resto, e se Cal e Foster tinham ficado com o jogador de xadrez nas emoções, Loker e Torres ficam com o sobrenatural. Eli, o que procura sempre a verdade, aceita o caso esquisito, mas consegue salvar um professor de ciências. OVNI’s, é o tema. E, claro, as teorias de conspiração que isso tem por trás. Um caso de travar o ritmo, mas que se viu bem. Referir que Loker mudou um pouco a personalidade: se, num dos episódios passados, levou a verdade avante quando teve pressionado para o não fazer por uma cadeia de supermercados, desta vez aceita uma mentira arranjada para salvar a carreira do professor. Apesar de parecer um pouco contraditório, ainda constrói mais a personagem, pois demonstra a ligação deste as pessoas, ainda por cima quem não teve nenhuma culpa no cartório pela situação onde se meteu. Foi um travão ao caso principal, mas um bom biscate.

E a série volta a dar-nos um excelente episódio. Lie to Me, ao conseguir dar juntar um excelente caso, com uma perspectiva diferente, continua a sua senda na conquista do prémio de procedural da temporada. E como o merece, senhoras e senhores…como o merece.

Um comentário

  1. Alessandro /

    Caralho,assim quando terminei o episódio a nota que veio a minha cabeça foi 8.8 kkkkkkkkkkkkkkkk

    O que achas? Thumb up 0 Thumb down 0

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