Lie to Me (2.16) – Delinquent

Os ditos populares são sempre verdadeiros. São verdades do tempo, aprendidas e não apreendidas por cientistas, por formulas. As únicas fórmulas são as vidas que vão passando por esta Terra. Assim sendo, volto de novo a utilizar a sabedoria do povo, que é maior que eu e maior que a minha. E consulto o ditado “Nem tudo o que reluz é ouro”. Nada melhor que pegar neste ditado num episódio que é uma pérola. Pois Lie to Me, como já muitas e muitas vezes escrevi, não é ouro. Mas reluz, e é esse reluzir que nos interessa. Pois faz com que a série se torne brilhante, dando-nos uma perspectiva cintilante da série. E é isso que torna Lie to Me o ouro que não o é: a perspectiva que a série nos dá. Este episódio é um exemplo fulgurante…

A abertura joga com uma daquelas cenas famosas dos procedurals: alguém morrendo, perdendo a vida em circunstâncias misteriosas. Se estivesse a escrever sobre outra série já saberia que a série iria mostrar um corpo estatelado no azulejo e uma equipa à sua volta, a ver a mínima impressão digital deixada pelos ceifeiros. Mas pronto, Lie to Me é uma mentira. Assim sendo, em vez de nos dar o caminho normal, a auto-estrada cheia de buracos de tanto ser utilizada, Lie to Me vai por uma via secundária mas sem buracos. Chama-se Torres ao protagonismo, algo que a série faz muito bem, em dois sentidos pois a Monica é bem bonita e porque assim dá-nos um sinal de continuidade, sem precisar de introduzir novas personagens à pressa. Assim, e com este ponto de partida, o arranque é completo.

Cal rouba logo a cena. Ele é egoísta por natureza e gosta de ter a câmara apontada para ele. Nós agradecemos, pois o Tim Roth é demasiado brilhante para estar escondido. Assim sendo, e viajando para o mundo dos exílios juvenis, onde os jovens perdem parte da vida e a vida parece ser saqueada do mundo, pois todos sabemos que o mundo anda porque há gente jovem a dar a manivela. Um novo mundo para a série, após termos já andado numa prisão. Só que, da primeira vez, Cal dá um show, agora o show está feito e Lightman tem de improvisar bastante. Claro que isso ainda torna o episódio melhor.

Assim, e com a linha narrativa da irmã da nossa mulata instalada e bem pronta, é só desfrutar. A série consegue muito bem introduzir pedras na engrenagem do caso, dando-nos falsas pistas e ideias a espera de errata. E vai-nos dando essas erratas a medida que avança. Vamos apalpando terreno, descobrindo mentiras, vendo o caso a ir para locais que não pensávamos ir. Cal movimenta-se muito bem no mundo, e este é mais um exemplo. Até que Foster é atacada e um ovo é roubado. Damos a volta, olhamos para trás e vemos umas máscaras no início do episódio. Um prólogo interessante que vem por os pontos nos “i’s”.

Assim, e já com grande parte explicado, faltava o epílogo. E este vai aparecendo, com umas pistas aqui e acolá, pronto para fechar o caso. E tudo fecha com uma grande surpresa, ao vermos alguém que, pelo menos eu, não esperava. Esta forma de a nos mentir descaradamente e, depois, surpreender, ainda torna melhor a série. Assim, e com um caso muito bom, a série consegue prender desde o início. Quando adicionado tudo isto à mudança de personagens, ainda melhor fica. O Cal(do) estava pronto para servir. E tudo acaba de forma imprevista.

Fatos amarelos:

  • O crescimento de Ria, que passa de criança a mulher neste episódio, ao pedir a custódia da meia-irmã. A série consegue isso muito bem e este crescimento agradece-se. Esperemos que futuramente seja aproveitado.
  • O desaparecimento crescendo do Loker. E acho que não faz falta…a personagem talvez vá embora.
  • Um possível relacionamento de Foster que não seja com Ligthman. Ainda por cima quando vimos, neste episódio, a preocupação de Lightman com a sua companheira. Haverá confusão?
  • O escape da filha do Cal tirar a carta. Sempre bom ter um ponto de escape, algo que nos faça esquecer do caso…Lie to Me consegue isso muito bem.
  • A Ria bêbeda era algo que não esperava ver. Mas foi bom para desanuviar. Para além de que deu para ver as torres gémeas, se me percebem (piada um bocado porca… sorry)

Os ditados podem dizer tudo o que quiserem. Mas, no mundo das séries, mais vale ser engraçado que cair em graça. Lie to Me é um caso claro. Que venha mais um episódio que divirta mais um bocado. Eu agradeço.

Um comentário

  1. jose otavio /

    Gosto demais da série e espero que a Fox faça uma temporada completa como muitas outras, Lie To Me vale a pena sim, série inteligente e com um ator de muita qualidade de interpretação que é Tim Roth. Sucesso.

    O que achas? Thumb up 0 Thumb down 0

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