Lie to Me (2.18) – Headlock

Eu já escrevi sobre despedidas. E daquilo que fica para trás quando se parte. Mas, se há sempre esse lado, temos também a razão da partida. O porquê de não continuarmos ali. E é isso que vos trago agora. As razões porque não irei continuar a comentar Lie to Me. A primeira é mesmo a série. Eu não gosto de escrever sobre procedurals. Para mim é a sempre a mesma coisa. Lie to Me foi-se mantido pela qualidade que demonstrava e demonstra, mas chega um momento que estoira. Isso porque, apesar de tudo o que muda, a série não sai dos registos dos casos seguidos de casos. E, mesmo sendo água o desejo de deixar de escrever sobre a série, que é uma pedra autentica em termos qualitativos, tanto bate até que fura. Pois o que eu gosto é de ver séries onde precise de ir buscar um pormenor disfarçado na tela, estar atento a cada fotograma. Lie to Me não é necessário isso. Ou seja, apesar da qualidade, não me apresenta obstáculos e desafios. E, se posteriormente virem as séries que ficarei na Fall Season, vêm séries que me pedem isso. Ainda dentro deste tópico temos a repetição que sinto a escrever sobre a série. Mesmo quando os casos diferem, ao passar para as palavras encontro unicamente sobre recuos e avanços dos casos. Pouco mais. Se isso não bastasse, há depois outro aspecto que foi decisivo. Foi o impacto que as reviews tinham. Ao contrário da Fall Season, onde as visitas e os comentários (principalmente estes últimos, pois é um sinal de reconhecimento do trabalho e demonstram que leram a review e não viram unicamente a nota) eram razoáveis, nesta época do ano baixaram drasticamente. E ver o trabalho de 2 horas ficar ali, parado, sem ninguém lhe pegar (fora raras excepções, aos quais agradeço profundamente…talvez foi isso que me fez continuara até agora), é um bocado ingrato. Eu sei que vocês não tem obrigatoriedade de comentar, mas eu vejo este mundo como um circuito: nos escrevemos sobre as séries e somos reconhecidos, mesmo quando os textos são péssimos, pelos comentários. Agora assim, sem eles, parece que andamos a trabalhar para o boneco. Por vezes senti isso. E foi também essa a razão para deixar. Assim sendo, e antes de partir para o último comentário a mais um excelente episódio, explicar o atraso do texto. Foi uma maneira de tentar volver com a situação. Tentar apanhar com o humor em alta e dizer: “Pronto, ainda dá para aguentar mais um!”. Não deu. Mesmo com um episódio destes não deu. Por isso, e deixando de conversa furada, pois de pedras e de água já falei, vamos ao trabalho. A despedida da escrita sobre Lie to Me.

E logo com um episódio muito bom. Eu não devia ficar admirado, a série já deu demasiado provas que consegue fazer. Mas é sempre um fascínio de criança ver episódios destes, ser conquistado por Lie to Me mais uma vez. Com um caso interessantíssimo, a série consegue prender desde de o inicio ao fim do episódio, com narrativas bem construídas. Algo habitual, mas único neste mundo de policiais.

O ponto de partida é a morte de um lutador de rua, participante em batalhas sem espada ilegais. Com o envolvimento de Lightman no caso, sendo colocado como principal processo, a série ganha ritmo. Lightman é um sujeito esquisito, e não nos choca ver nestes mundos esquisitos, aparecendo e desaparecendo da câmara, à procura da emoção mais escondida no coração humano. A série consegue muito bem isso, de colocar uma personagem conhecida como interveniente principal do caso. E, depois, com uma escrita muito boa, consegue dar-nos aprisionarmos ainda mais.

Pois, a partir do momento que conhecemos a verdadeira problemática da Lightman, é um rodopio completo. Vemos, primeiramente, um trabalho de equipa. Lightman tem, claramente, uma equipa atrás dele, que o protege de todos os males. É uma família, no fundo. Isso nota-se na forma como Ria dilecta o vídeo sem segundo pensamento ou como o agente do FBI o ajuda, apesar de ir contra tudo o que luta. Há uma confiança no boss, que é alguém esquisito mas muito correcto e, claro, nunca se meteria por esses caminhos. É um pormenor interessante a retirar-se.

Pois, fora esse pormenor, o caso foi um rodopio completo. É Lightman à procura do culpado e a fugir às garras do polvo que ele tentou sufocar uns anos antes e agora está próximo de o sufocar. Mudou a situação do xadrez, mas Cal é mestre e senhor das peças. Assim, movimenta-se muito bem no mundo e, claro, quando sabe de tudo, decide abrir o jogo.

E já sabemos que, quando Lightman abre o jogo, é para ganhar. A vitória é assegurada numa jogada ponderada e inteligente, juntando os peões pretos e brancos contra os latinos, que assim caem por terra. O caso é brilhantemente resolvido, mas o que fica são quatro notas: primeira a necessidade de “loucura” que Lightman tem, depois o apoio da família e, terceiro, mas muito importante, a verdade estar sempre acima da verdade. Nem que seja uma falácia. E, para acabar, o desaparecimento bruto de Loker, que já até nem nos casos ajuda. Podiam cortar com a personagem e acabar com o sofrimento do pequeno.

Falácia é o romance de Foster que, apesar de já pensado e bem construído, veio cair como uma bomba. Falta saber se tornar-se-á de mau cheiro. Isto porque é um caso um bocado esquisito ao ver-se agora com a DEA pelo meio. E Foster nunca teve nas relações o seu forte. Será uma situação interessante de acompanhar. Claro que com Lightman no calcanhar dos pombinhos. Se são família, é para o bom e para o mau.

E pronto. Num episódio muito bom me despido da série. Fica a saudade, mas espero que compreendam as razões desta saída. E, claro, que o rei continue rei. E a Ria bonita como sempre…e eu a fazer pleonasmos atrás de pleonasmos. A vida é feita de repetições, e a Ria é bonita todos os dias.

2 comentários

  1. Obrigada pelas reviews :)

    O que achas? Thumb up 2 Thumb down 0

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