Lost (6.08) – Recon
Sawyer não é daquelas personagens que eu adoro incondicionalmente. Não me entendam de forma errada, eu adorei toda a sua construção e evolução, atingindo o auge no episódio LaFleur da quinta temporada, mas mesmo assim prefiro outras como o Jack e o Locke. Antes de ver cada episódio de Lost eu vou até ao SpoilerTV ver a pontuação dada pelos visitantes numa sondagem, e este estava com uma pontuação mesmo baixa, o que diminuiu logo as minhas expectativas. Acho que acabou por ser positivo!
Ver a série sem ter lido quaisquer spoilers é mesmo uma sensação prazerosa. A minha surpresa ao ver que o Sawyer dos FlashSideways era um polícia foi realmente enorme, não estava nada à espera. Cada vez mais acredito que estes flashes são nada mais, nada menos, a vida dos sobreviventes sem a intervenção de Jacob, sem nunca terem sido ‘puxados’ para a ilha, que como vimos em LA X, está completamente afundada. Mas mais que isto, acho que esta realidade alternativa serve para as personagens se redimirem, até pode ser uma espécie de epilogo para a série, e se as coisas forem realmente bem feitas, pode tornar-se em algo épico e que vai ser recordado por muitos anos. O Mateus Borges apontou muito bem que enquanto o telespectador não souber qual a importância destes flashes, não ficará completamente convencido. Eu confio nos argumentistas quando eles dizem que tudo isto é importante e sei que quando eu for rever a série, tudo isto fará mais sentido, que tudo isto foi criado por uma razão.
Neste episódio, na realidade alternativa, conhecemos um Sawyer que continua a viver com o sentimento de vingança. Tal como ele disse, Sawyer chegou a uma altura da sua vida onde seria um criminoso ou um polícia, e optou pela segunda opção. Foi interessante ver este paralelismo entre as duas realidades, assim como rever Charlotte na série, que diga-se de passagem, estava mais bonita que antes. Se o episódio for visto com atenção, podemos encontrar algumas referências importantes, e é isso que faz de Lost uma série complexa e boa. Por exemplo, novamente é mostrado o Coelho, a alcunha de Charlotte sobre James, a volta de ‘LaFleur’, a volta dos números no relógio (8:42), o girassol dado a Juliet, entre outras coisas que certamente passaram-me despercebidas. Gostei do companheirismo entre Sawyer e Miles, fez lembrar um pouco a quinta temporada, aquele viver feliz na Dharma Initiative. Em suma, foram bons momentos passados neste flashes do Sawyer, se bem que de outras personagens como os do Jack e do Locke foram bem mais interessantes.
Na ilha, Locke confia em Sawyer uma missão: fazer o reconhecimento dos passageiros do Ajira 316. Lá ele encontra o pessoal que veio de submarino para a ilha e é levado para ter uma conversa bastante importante com Widmore. Carregado de protecção contra o monstro da fumaça (por exemplo, as cercas sónicas), Charles revela que está do lado do bem que quer matar o Flocke. Para isso, vai precisar da ajuda de Sawyer para lhe montar uma armadilha, fazendo assim um pacto com ele. Ficou bem evidente neste episódio que Sawyer não está do lado de ninguém, apenas quer sair da ilha. O seu plano, que inclui Kate, não deixa de ser inteligente, mas ele aqui não está a lidar com os passageiros da Oceanic 815, mas sim duas forças opostas bastante poderosas. Este episódio foi claramente um ‘setup’ para o resto da temporada e eu mal posso esperar para ver como tudo vai terminar.
Outras observações sobre o episódio:
- A Claire no momento em que ia matar a Kate foi impedida pelo Flocke. Este conta-lhe, posteriormente, uma história sobre os problemas que teve com a sua mãe e compara-se, mesmo que indirectamente, a Aaron. Conversa inocente ou pistas para o futuro da pobre criança?
- Josh Holloway esteve novamente muito bem num episódio dedicado ao seu Sawyer. É impressionante a evolução do actor desde a primeira temporada até agora.
- Na próxima semana teremos um episódio repleto de mitologia. Não vou dizer em quem é centrado, mas se souberem já sabem o porquê de este ser o episódio mais esperado da temporada para mim. Será que finalmente vou dar a pontuação 10? Esperemos que sim!
- O irmão de Charlie voltou, mas ele (Charlie) nem apareceu. Ainda tenho esperanças que o veremos mais à frente.



Os flashs de determinado personagem, na maioria das vezes acabam por ditar a maior ou menor preferencia por um episódio.. Por norma o meu preferido é de longe o Jack. Mas achei muito mais interessante e empolgante a realidade alternativa do James.
Agora o que me apaixona em Lost é todo aquele mistério e quebra cabeças, que por vezes ritmam o episódio de uma forma fantástica. E, sem achar que o episódio foi mau ou apenas satisfatório, fiquei com uma sensação tremenda de pobreza.. completamente sem sal.
Concordas comigo?
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