Rubicon (1.06) – Look to the Ant

Rubicon chega a metade de sua 1ª temporada sem maiores méritos. A série neste episódio parece não saber muito bem com o que preencher a sua história, não tendo muito o que contar até liberar uma dose mínima de informação interessante no final. Isso fica bastante claro, quando terminamos de ver “Look to the Ant” e percebemos que ele praticamente só serviu para mostrar o quanto Miles e Maggie são carentes, e que Will está ficando realmente paranóico – com razão, já que está sendo grampeado quase que todo o tempo.

O episódio foi até bom, eu gostei. Por outro lado, foi razoável em sua razão de existir, dando destaque a coisas que funcionariam muito melhor entremeadas na história de outros episódios. Talvez o que mais me desagradou foi a sensação de que este era praticamente um filler, coisa que me parece estranha numa série como Rubicon. Engraçado que mesmo com a direção preguiçosa e o roteiro quase que redundante deste episódio, o clima de conspiração da série parece que começou a me fisgar, assim como a série acertou em tentar nos fazer criar empatia pelos personagens. Mas tirando os últimos minutos que trouxeram novas pistas, nada relevante aconteceu de verdade. O melhor foi ver que a cada dia Ingram é uma incógnita completa. Afinal, de que lado ele está?

O que se viu na maior parte do tempo foi a série desenvolver alguns de seus personagens e suas relações, o que é muito bom. No entanto, isso soou um pouco super valorizado no meio de tudo. Miles e a garota tradutora na API foi bonitinho de se ver e nada mais. Permanecendo indefinida a importância da investigação sobre George Boeck. Maggie, com sua carência e interesse amoroso por Will, revelou aspectos interessantes da assistente, que vigia o protagonista de forma contida. A storyline de Katherine, ao se arrastar há semanas com pingos de cenas e pingos de informação, tira alguns pontos da série. Sua investigação, no entanto, parece que vai logo logo convergir com a de Will, já que a viúva, assim como o protagonista, chegou até o nome da empresa Atlas MacDowell, e somos remetidos a mesma foto antiga de sete garotos numa praia, assim como novamente ao trevo de quatro folhas.

Não acho que a série seja digna de notas muito elevadas ou de adjetivos exagerados. A série mantém um certo nível de interesse mesmo com suas deficiências em termos de envolver o telespectador comum. Acredito que Rubicon caminha para um desvendar de seus enigmas satisfatório. Enquanto isso, ela vem tirando da caixa peça por peça de seu quebra-cabeça. Há quem fique ansioso por brincar, e há quem não tenha paciência de esperar.

8 comentários

  1. as pessoas pensam que espionagem deve ser parecido com 007 ou 24 horas

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    • Anónimo, eu não diria melhor.
      Para quem pensa que uma série (competente e complexa como esta) se deve desenrolar à velocidade da luz, então veja um filme, porque só num filme (de 2h) é que a vida de uma personagem está maravilhosamente bem, dá 1001 reviravoltas e volta a acabar (normalmente) bem.
      Há que saber fazer essa destinação. Aqueles que deixaram de ver a série (por isto ou por aquilo) pensem nisso.
      Cumps.

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  2. Ainda acho que está avaliando a série de modo errado. Não dá pra fazer uma série sobre conspirações e ficar resolvendo tudo em ritmo alucinado. Tem que ser lento mesmo. Porque aí você iria relamar que resolveram tudo rápido demais e que o resto dos episódios não serviram pra nada. Essas são as únicas opções, afinal, uma conspiração tem seus limites. Uma hora ela acaba. O que resta é se acostumar com esse ritmo (que pode ser bem agoniante pra quem se acostuma a ver séries com tramas rápidas) ou desistir. Episódio meio filler, foi mesmo. Mas não quer dizer que seja algo ruim.

    nota086

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    • Bruno Barbosa /

      Blulrich, não tenho nada contra séries que tenham uma trama mais lenta. Eu, por exemplo, sou fã de In Treatment, série que é basicamente duas pessoas conversando. Não acho que o fato de uma série ser lenta seja uma qualidade que denote sua complexidade, nem o fato de ela ser alucinante um defeito. Não se trata de implicância com lentidão, ou querer muita ação. Pra mim, cada história tem o seu ritmo certo, acredito que Rubicon ainda está tentando encontrar o seu.

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  3. Tenho acompanhado as tuas reviews sobre Rubicon (não sei se escreves sobre mais alguma..?) e devo dizer que é a mais bem conseguida até então.
    Não é fácil (nem pouco mais ou menos) fazer review sobre esta série (que consiga agradar toda a gente) tendo em conta o seu forte argumento com uma complexidade fora do normal mas aos poucos vou-me apercebendo na tua boa capacidade de te focares no que realmente importa.
    Não é uma série para qualquer pessoa ver e muito menos para se fazer uma review. Pela evolução que tens tido, parabéns.
    (Deixa-me perguntar-te agora do que achas da tua review sobre o piloto?)

    Sobre o episódio em si, foi ligeiramente mais acelerado que os anteriores, dá para começar a perceber a dimensão da conspiração que está ‘no ar’. James Dale parece-me muito competente enquanto Will Travers, a série continua a ser uma muito agradável surpresa, a interessar-me bastante e portanto com uma receita magnifica veremos como sairá o bolo, …, quanto a mim continuo a achar que vai ser delicioso.

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    • Bruno Barbosa /

      Que bom que você curtiu o review. Escrevê-los realmente não é fácil. Sempre me passa pela cabeça se eu não estou pegando pesado com a série ou se não estou enxergando a genialidade que algumas pessoas veem. Acho que Rubicon vem acertando e errando na mesma medida.

      Se por um lado entendo a maturidade da trama, por outro entendo aqueles que abandonaram a série por sua ineficácia em conquistar o público comum. Tenho pra mim que uma série pode ter qualidade e complexidade e ser um sucesso independente de qualquer coisa, basta fazer a coisa certa. Se Rubicon não está alcançando boa parte do público, algo precisa ser consertado.

      Continuo achando que o episódio-piloto foi mediano. Sei que causei muita polêmica, já que os programas da AMC praticamente já vem com um selo de qualidade garantido, mas resolvi arriscar, e escrever tudo o que eu senti vendo o episódio. Comparando com outros episódios-pilotos geniais de outras séries, Rubicon fica longe de grandes elogios. Não foi nem bom, nem ruim, ficou em um meio termo. Para mim, não passou da sinopse básica da série filmada, sem grandes emoções e nenhuma surpresa. Não teve algo que eu pudesse realmente dizer que Rubicon seria genial. E também não teve nada de original ou inovador.

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      • Devo discordar de ti no seguinte sentido, Rubicon não deve ser comparada a outras séries, deve ser assistida sem termos de comparação, o seu argumento e narrativa é demasiado complexo e diferente de outras séries. Não me parece o mais acertado fazer-se termos de comparação entre pilotos, que comparações (construtivas e lógicas) se pode fazer entre séries como Rubicon, Lost, Heroes, etc.. estilos diferentes, argumentos diferentes, é isso que tento explicar (não sei se com sucesso).

        Quando dizes que “Se Rubicon não está alcançando boa parte do público, algo precisa ser consertado.” também não me parece de todo o mais correcto. É preciso saber diferenciar uma série de um canal generalista (para uma população) e uma série de uma canal a cabo em que aqui o publico alvo é uma amostra (previamente definida) da população, tratando-se para mais da AMC definitivamente (Mad Men e Breaking Bad são clarissimos exemplos) não é para qualquer pessoa.

        Continuo a achar que a tua analise do piloto não foi a mais conseguida, (para um piloto deste tipo de série) olhaste sobre uma perspectiva errada e tudo o que viste foi um rectângulo com os lados mal desenhados quando olhando no fundo e sobre a perspectiva adequada via-se um quadrado muito bem desenhado com os lados todos iguais.

        Ainda assim, a forma de tu fazeres as reviews de Rubicon foram mudando ligeiramente ao longo dos episódios. É tudo uma questão de perspectiva.

        Cumps e boas continuações.

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        • Bruno Barbosa /

          Não é porque Rubicon tem enigmas que podemos defini-la como complexa. Não há um variado número de tramas paralelas importantes, por exemplo. Sendo que praticamente apenas dois personagens (Will e Katherine) conduzem de fato a storyline da série até então. A trama não é tão meticulosa assim.

          A comparação com outras série vem do fato de eu não poder sinalizar como “fantástico” algo que não alcançou isso, o que acabaria por desvalorizar a nota e o sentido de uma série receber uma ótima avaliação. Nossas opiniões sobre o piloto divergem talvez porque nunca coloquei a AMC em nenhum altar e nem coloquei muitas expectativas no programa, o que me permitiu fazer uma análise simples e direta.

          Odeio esse pensamento seletista de que determinado programa “não é pra qualquer pessoa”. Quando algo é bom, é bom, e ponto. Mas é claro que nem sempre o público valoriza programas de qualidade. De qualquer forma, foi esse próprio “publico diferenciado” da TV a cabo, da AMC, que largou a série causando uma queda de 70% na audiência. E não é porque dizem que AMC só faz bons programas que ela vai ter de acertar sempre.

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