The Simpsons (1989-2009) – 20 anos amarelos

Domingo, 17 de Dezembro de 1989. Enquanto Lula da Silva chorava a derrota nas eleições estreava, nuns passos ao lado, a série que viria a mudar, em parte, a televisão americana. A família amarela de Springfield dava os seus primeiros passos. Simpsons Roasting on an Open Fire foi o nome atribuído ao primeiro episódio da série. A abertura mostrava a família com o carro na neve, Homer ainda com voz esganiçada, Marge também a aprender a atingir a sua voz, Bart a tentar libertar-se da voz feminina que lhe deu origem. Lisa já mais espevitada e que menos alterações sofreu e, para último, Maggie, a bebé eterna, que só disse uma palavra. Mas a isso já lá iremos.

Os Simpsons tinham sido criados dois anos antes, quando Matt Groening esperava por uma reunião. Um rabisco aqui, um cabelo levantado ali e tudo ficou definido. A família seria amarela, teria 5 membros mas, ao contrário dos humanos, só 4 dedos. A ideia foi aceite e foram colocados no Tracy Ullman Show a fazer aquilo que agora Itchy and Scratchy fazem na série: pequenos blocos. Preparou-se o terreno para o salto durante 2 anos, limou-se as personagens, arranjou-se o cabelo ao Homer. Até que a Fox decide apostar na família para uma animação de 20 minutos, a dar no domingo. Começou a revolução. Apesar de terem apenas 4 dedos, a família amarela agarrou a oportunidade com força e nunca mais se libertou.

Assim começou uma caminhada imparável. A série conquistou a audiência necessária para que a Fox apostasse em apenas rabiscos. Assim os bonecos sofreram modificações. A evolução da tecnologia em Simpsons demonstra as voltas que os desenhos animados deram. A temporada de estreia é muito rabiscada, muito primitiva. Homer parecia um autêntico touro ainda sem dizer D’oh. A partir daí a tecnologia evoluiu e, consequentemente, o grafismo da série também. De desenhos passou para animações a PC. Os Simpsons acompanharam as mudanças deste mundo, passaram várias guerras americanas, ultrapassaram crises mundiais. Sempre criticando, sempre com ironia a falar do que andava mal na sociedade americana. A sociedade não poderia evoluir sem as personagens amarelas pois os Americanos foram criados a ver Simpsons. O sucesso de há 20 anos manifesta-se agora na sociedade americana.

Mas viremo-nos mais para a série propriamente dita. Comecemos por Homer Jay Simpson, o homem da família. Dois cabelos espetados na cabeça, acompanhados com barba por fazer, com calças sempre azuis e camisola branca, por vezes suja. Um pai que ama os seus filhos mais que tudo, mas que tem como segundo amor três coisas: cerveja, um donut e uma soneca. Protagonista da série, o mais velho da família continua igual. Com Lenny e Carl, são os comandantes de um navio (leia-se Central Nuclear) quase sempre pronto a afundar-se. Para além disso, tem como confidente (holandês) Moe, o empregado e dono do pub Moe’s Tavern, sempre aberto para o bêbado incorrigível da série: Barney Gumble. Esta é a equipa de compinchas de Homer, os doidos da vida airada, pronto sempre a ajudar o amigo.

A par de Homer e do seu D’oh (talvez a fala mais ouvida e conhecida da série) está Marge. Marjorie Bouvier Simpson de seu nome, a mais que tudo de Homer é o pêndulo da série. É a dona de casa americana, que fica a tratar do jantar e a esticar o dinheiro que resta das saídas do marido. Não se aproxima muito das pessoas não tendo, ao contrário de Homer, um grupo de amigas coeso com quem se encontra para uns copos. Apesar disso tem duas irmãs, Patty e Selma, as eternas solteiras que tentam que se liberte de Homer.

Depois vem os filhos, Bart, Lisa e Maggie. Primeiro, e sendo o mais velho, falemos de Bartholomew Simpson. O parte corações da série só tem 10 anos mas já é traquina como o diabo. O primeiro episódio da série mostra a primeira de muitas que ocorrerão pela série fora, sempre com o skate e Milhouse a acompanhar. Mas Bart, no fundo, não é nada do que passa cá para fora. Tem um sentido de justiça nos piores momentos e, apesar de odiar a irmã, gosta dela como tudo. Uma relação normal de irmão-irmã.

Elizabeth Marie Simpson é a personagem certinha da série. A estudiosa da família anda apaixonada pelos animais, é vegetariana e sempre pronta a defender uma causa justa. Tenta levar uma vida sempre certa, com o mínimo de sobressaltos, estando sempre pegada a um livro. É a esperança da família, visto que o irmão mais velho tem o gene “Simpson” que os torna estúpidos.

Quanto ao último membro, Margaret Simpson é o bebé que nunca mudará. O seu custo é de 847,63 dólares (valor descoberto por Matt num estudo) e é o membro mais misterioso da família. Apesar de parecer inteligentíssima, a bebé de 1 ano até agora disse uma única palavra: Daddy. De resto, tem a chupeta como companhia e “matou” Mr. Burns.

Acompanhados dos Simpsons existem personagens inesquecíveis. Primeiro, a família católica que vive ao lado da Homer e Marge. Ned Flanders e os seus filhos Rod e Tod são os vizinhos da família mais conhecida da América, tendo já falecido a sua mulher, Maude. Depois o dono do supermercado da cidade, Apu. O indiano tem 8 filhos para cuidar e estes até já passaram por um jardim zoológico. A terceira personagem inesquecível da série é Mr. Burns, o rico da cidade que comanda os destinos desta. Declara o mínimo ao estado, para ver se poupa nos impostos e tem como companhia Smithers. Depois, poderemos mencionar Krusty, o palhaço da série; Joe Quimby, o presidente sempre pronto a ter uma amante; Sideshow Bob, o arqui-rival de Bart e, para acabar, Nelson, o bad boy da série, que bate em tudo e todos e tem o famoso: “Ha-Ha!”. Muitas outras personagens poder-se-ia mencionar, pois Simpsons é um poço delas (como é visível no fundo do post).

Tudo isto se encontra em Springfield, a cidade mais americana da América. E claro, como qualquer cidade americana que se preze, existe de tudo. A central nuclear onde Homer trabalhar, a taberna de Moe, a escola de Bart e Lisa, o estádio de basebol, a barragem, o parque e, claro, a casa da família Simpson, sempre com a fiel companheira casa da árvore. É aqui que as histórias nascem, por onde as principais peripécias passam. Já lá existiu um cort de ténis, o casamento do Apu e até um elefante. A casa parece resistir a tudo e todos, tal como a sua parceira.

Mas o que ainda faz os Simpsons, passados 20 anos, resistir a idade? Primeiro as personagens serem eternas. A idade em Simpsons não conta. Homer continua com a sua barba para fazer e os seus dois cabelos esticados, mas ainda pretos. Bart continua com o seu cabelo pontiagudo e com genica para o skate. Marge ainda não começou a ter queda de cabelo e Maggie ainda não conseguiu dizer “mama”. Isto permite que a série consiga manter a base, o que não acontece numa série “real”, onde as personagens sentem os anos a passar. Em segundo lugar o efeito de culto que a série tem. Não há ninguém que nunca tenha visto Bart Simpson. Ninguém nunca viu o skate do rapaz, ninguém se salvou das suas malandrices. É este culto que foi crescendo durante 20 anos que permite a Simpsons ser uma série que serve de exemplo as restantes que lhe seguiram. Em terceiro lugar a existência de pequenos pontos constantes durante todas as temporadas. Primeiro, asaberturas de Simpsons, apesar de todas diferentes, permite saber que, no inicio, a série abre com a primeira sátira a sociedade. Tanto a escrita de Bart no quadro como a forma de sentar no sofá é um ponto constante da série, apesar de ir mudando de episódio para episódio. Depois o famosos Treehouse of Horror, que se tornou o episódio mais aguardado de cada temporada. Este episódio é aquele que permite à série mudar de estilo, fazer uma pausa da realidade e passar para comédia muito mais animada. É um ponto refrescante para o estilo da série e é outro dos factores que ainda permite a existência da série.

Colectânea das cenas do sofá

Em quarto e último lugar está a sociedade americana. Simpsons nasceu como uma série que prometia criticar a sociedade onde a família vivia. E, como qualquer sociedade, esta vai mudando mas não ficará nunca sem problemas, sem lugares onde poderemos modificar. É aqui que Simpsons entra. E é devido a este facto que a série ainda existe. Durante 450 episódios foram criticados aspectos da sociedade mas estes ainda existem e continuarão a existir e, por isso, Simpsons têm sempre o seu ganha-pão.

Há 20 anos que nasceu a família amarela. Passados 20 anos a humanidade continua imperfeita, incoerente. Talvez estaremos melhor, talvez estaremos pior. O que sabemos é que, em parte, a mudança deveu-se a Homer, Marge, Bart, Lisa, Maggie e as restantes personagens. A família Simpsons encontra-se a 20 anos a mudar mentalidades, estão de parabéns pela insistência.


Foto de família (clicar para aumentar)

7 comentários

  1. Com 4 anos sem saber ler, já admirava a série. Então agora.. Venero-a!

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    • A minha paixão vem ainda de mais pequeno…a minha mãe diz que uma adulteração de Simpsons foi das primeiras palavras…talvez com 1 ano e meio já a admirava. Mas Simpsons é para dos 0 aos 100

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  2. Tal como já foi dito também eu venero simpsons. Mas só vim aqui comentar para dizer mesmo: Parabens, grande texto. Muito bem escrito. Deu gosto em ler.

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  3. Tiago Duarte /

    Sinto-me um privilegiado por ter posto as mãos e os olhos neste texto antes dos outros e poder reve-lo e aprecia-lo. Excelente texto. Uma grande homenagem a uma das maiores séries de sempre. Parabéns. Um dos primeiros bonecos que eu tive em criança foi o Bart Simpson :D

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  4. Eu também cresci com os simpsons e devo ser das poucas pessoas daqui que pode ter o orgulho de dizer que já viu a série TODA até ao final da vigésima temporada. ainda só vi o 21.01 e 21.02 da nova temp, mas planeio ver em breve o resto. já agr… excelente coluna, parabéns!

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  5. Só podia ser tua a coluna lol. Bem confesso que não sou uma amante de Simpons, e são apenas alguns os episódios que segui. Bem mas acho que me apaixonei pela família só de ler o texto, transpiram amor cada palavra que escreveste. Muito bom mesmo o texto. Parabéns, quando se escreve sobre o que se gosta as coisas saiem naturalmente, já eu tenho de andar de volta da BHE, é mais dificil, devia fazer tese sobre séries lol.

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